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Startup brasileira de bicicletas Yellow levanta US$ 63 mi em aportes

Com recursos, empresa de compartilhamento de bicicletas sem estação irá expandir operações e construir fábrica de patinetes elétricos, sua nova frente de negócios no País

13 set 2018
15h17
atualizado às 18h26
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Pouco mais de um mês depois de iniciar suas operações nas ruas de São Paulo, a startup brasileira de compartilhamento de bicicletas sem estação (dockless) Yellow anunciou o recebimento de uma rodada de investimento de US$ 63 milhões, nesta quinta-feira, 13. É a maior rodada de investimento Série A (primeira rodada feita por fundos de investimento de capital de risco) já feita na América Latina. O montante será usado para fortalecer a operação da startup em São Paulo, expandir o negócio para outras capitais do Brasil e da América Latina, além de acelerar a construção da fábrica de patinetes elétricos da empresa.

A rodada de investimento foi liderada pelo fundo chinês GGV Capital, que já investiu recursos na Didi, que é dona da brasileira 99. Vale lembrar que Ariel Lambrecht e Renato Freitas, dois dos três sócios fundadores da Yellow, também deram início à operação da 99, ao lado do empreendedor Paulo Veras. Também participaram da rodada os fundos Monashees, Grishin Robotics, Base10 Partners e Class 5. Desde que foi fundada, em janeiro deste ano, a Yellow já levantou US$ 75 milhões em investimentos.

Em seu primeiro mês de operação, a Yellow diz já ter realizado mais de 150 mil corridas na capital paulista - o custo médio de uma viagem de bicicleta com 15 minutos de duração, para o usuário, é de R$ 1. Hoje, a empresa tem cerca de 3 mil magrelas na cidade; até o fim do ano, pretende que sejam 20 mil. Além disso, com os investimentos, a empresa pretende levar as bikes para outras capitais brasileiras e também para México, Argentina, Chile e Colômbia.

Os recursos também serão utilizados pela empresa para construir uma fábrica de patinetes elétricos na América Latina - além do Brasil, Paraguai e México também podem receber a planta. Hoje, a Yellow utiliza patinetes importados da China para realizar testes com essa nova modalidade de negócios em São Paulo, onde ainda aguarda regulamentação local para operar de fato. Além da startup, outros dois grupos fazem testes com patinetes na capital paulista - a Scoo e a Ride. É um mercado com custos mais altos - em reportagem recente, o Estado apurou que uma viagem de cerca de 15 minutos com patinete deve custar em torno de R$ 6 no Brasil.

"Vamos garantir o fornecimento local de patinetes, com a capacidade de controlar nosso suprimento por meio da fábrica", disse o presidente executivo da Yellow, Eduardo Musa, em comunicado. Ex-presidente executivo da fabricante Caloi, Musa é o terceiro sócio-fundador da startup de compartilhamento de bicicletas.

Para Rafael Ribeiro, presidente executivo da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o investimento de grande porte se deve, especialmente, aos nomes envolvidos na operação da Yellow. "Os investidores se sentem atraídos pela capacidade de execução, já provada na 99, do Renato e do Ariel", diz o especialista, ao Estado. Segundo ele, a primeira rodada captada pela Yellow, no início do ano, serviu para validar o modelo de negócios da empresa. "Agora, que eles estão mostrando números relevantes, a quantia será utilizada para escalar a operação."

Além disso, ele ressalta que, no momento de desvalorização do real frente ao dólar, o Brasil se torna um local atrativo para investimentos estrangeiros. "Os empreendedores locais conseguem fazer mais com valores menores, na visão de quem está olhando de fora."

Estadão Conteúdo

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