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Unilever lança startup de carne vegetal no Brasil com foco em restaurantes

Empresa aposta na marca The Vegetarian Butcher, comprada por ela em 2019, para popularizar produtos de origem vegetal nos restaurantes brasileiros

23 out 2020
05h10
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Mais uma opção de carne vegetal acaba de desembarcar no Brasil. Trazida pela Unilever, a The Vegetarian Butcher, marca holandesa de produtos plant-based, chega ao País neste mês com quatro produtos e promove até o final de outubro um hack, semelhante a um tour gastronômico, em 180 endereços de São Paulo e Rio de Janeiro para introduzir as criações no menu dos brasileiros.

Neste primeiro momento, chegam por aqui quatro produtos da marca: hambúrguer, nuggets, carne moída e almôndega. Todas carnes são feitas com base de proteína de soja texturizada, para imitar a carne de origem animal, óleo de coco, óleo de girassol e outros ingredientes, a depender do alimento.

Apesar da semelhança com produtos já existentes no Brasil, a meta de conquistar clientes chega diferente de algumas outras marcas que fornecem produtos plant-based no Brasil — como Fazenda Futuro, NotCo e, mais recentemente, a Beyond Meat. A The Vegetarian Butcher quer atuar no mercado de restaurantes, incorporando o produto em pratos do menu e fornecendo suas carnes vegetais para esses estabelecimentos.

"Inicialmente, estamos focando 100% no food service. Estamos começando por aí, porque é onde se desenvolve a experiência e o receituário para os consumidores terem contato. Temos profissionais dos restaurantes desenvolvendo novos pratos, usando a criatividade e começamos com food service por conta disso", afirma Ricardo Marques, vice-presidente Unilever Food Solutions, em entrevista ao Estadão.

A empresa foi criada há 10 anos, pelo açougueiro holandês Jaap Korteweg, quando ele decidiu virar vegetariano, e foi comprada pela Unilever Food Solutions, divisão da multinacional que desenvolve produtos para o setor de alimentação, em 2018. Desde então, estudos do mercado latinoamericano foram conduzidos o Brasil foi o escolhido para receber os produtos na região.

"A aquisição foi feita no final de 2018 e, a partir desse momento, foi feito o mapeamento das regiões que tinham maior potencial para expansão dessa marca. O Brasil, como um dos países que mais consomem carne, é exatamente o alvo que a gente estava procurando. Essa é uma das razões para ser o primeiro país fora da Europa a criar um produto exclusivo, produzir e distribuir fora do mercado europeu", explica Camille Lau, gerente de marketing Unilever Food Solutions.

Por aqui, a ideia é continuar nos restaurantes para naturalizar e tornar o cardápio à base de plantas ainda maior. Para isso, a marca aposta em vários segmentos, de hambúrgueres à pratos de culinária brasileira — nesse primeiro momento, Meats, Quintana e Brique são alguns dos restaurantes paulistas que abrigam o produto da marca.

Pensando nas especificidades do paladar brasileiro, as versões por aqui serão um pouco diferentes. Camille afirma que a empresa mudou temperos da receita europeia para se adaptar ao costume e às preferências do País. É possível encontrar receitas, por exemplo, com mais ênfase no sal e na pimenta, ao invés de uma concentração maior de ervas, como acontece no produto original.

"As pessoas estão deixando de consumir carne, mas não querem abrir mão de absolutamente nada. Muitas pessoas não tiveram experiências boas com esses produtos. A gente teve a preocupação de desenvolver um produto que é adequado ao paladar do brasileiro e não trazer exatamente o produto da Europa para cá", afirma Camille.

Para fabricar os hambúrgueres, nuggets, carne moída e almôndegas, a matéria prima ainda vem de fora. Segundo Camille, a empresa queria garantir que a procedência da soja não envolvesse grãos modificados e com garantia sustentável. Mas os planos são de mudar essa lógica quando possível, fazendo parcerias com produtores locais e substituindo essa matéria prima que vem da América do Norte pela brasileira.

"A gente foi buscar matéria prima que também contemplasse a preocupação com a cadeia de fornecimento desses produtos. A gente precisava de uma soja que fosse não geneticamente modificada e que a gente tivesse o certificado de que ela vem de fontes sustentáveis, de regiões em que não havia desmatamento. Estamos discutindo a nacionalização desse processo, até para desenvolver a cadeia de suprimentos aqui no Brasil", afirmou.

Desafios

Um dos desafios, além de popularizar o produto para além de vegetarianos, veganos e os chamados flexitarianos — pessoas que comem carne mas querem diminuir o consumo do alimento — é o preço. Diferente das gôndolas de supermercado, as carnes, que chegam em pratos prontos, podem custar um pouco menos, mas o preço ainda é alto para apenas algumas gramas do produto no menu. No hack promovido pela marca, é possível encontrar hambúrgueres à R$ 28 no Rio de Janeiro e pratos mais artesanais, como espaguete com almôndegas, por R$ 42,80 em São Paulo.

Marques afirma que ainda é difícil falar em preços mais acessíveis no mercado plant-based. Segundo ele, por ser um segmento novo no mercado, a atração de público não é suficiente para baixar as cifras. Ainda, a produção fora do Brasil — que também atinge outras marcas — encarece o produto final, seja na prateleira ou no app de delivery.

"O produto que a gente está trazendo é bastante competitivo com o que tem no mercado hoje. A gente acredita que uma categoria nova não tem uma eficiência de custo como categorias mais maduras, que tem muito volume. Então, é natural que uma categoria dessa de plant-based entre com preços mais altos, mas ao longo do tempo ela vai ajustando exatamente pelo desenvolvimento", aponta.

Ainda assim, a empresa está otimista por começar suas operações no Brasil. Com pontapé inicial nas capitais paulista e carioca, a The Vegetarian Butcher pretende colocar seu produto em todo o Brasil em breve, contando com a ajuda de chefs e restaurantes nas receitas únicas criadas para suas carnes vegetais.

"Temos 180 endereços confirmados e a ideia é que eles apresentem receitas exclusivas feitos com os nossos produtos, que vão permanecer nesses menus por pelo menos um ano. A gente tem interesse em expandir isso pelo Brasil inteiro, já estamos em negociação com outras regiões para permitir uma expansão até o final deste ano", afirma Camille.

*É estagiária, sob supervisão do editor Bruno Capelas

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Estadão
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