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Startup Galena levanta US$ 16 mi para expandir 'trainee' digital

Com investidor inédito que chega ao Brasil, empresa de educação conta com nomes conhecidos do setor para preparar jovens talentos para mundo corporativo

13 abr 2022 06h10
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A startup de educação Galena, de preparação de estudantes de escola pública para trabalhar em grandes empresas, anuncia nesta quarta-feira, 13, que levantou uma rodada de US$ 16,3 milhões, do tipo série A. Esse é o primeiro grande aporte formal recebido pela empresa, que espera expandir seu serviço pelo Brasil.

O cheque contou com a estreia do fundo americano Altos Ventures no Brasil, gestora localizada no Vale do Silício e responsável por já ter investido no Roblox, empresa americana dona do game infantil de mesmo nome. O movimento reforça a chegada de novos investidores ao País, que vem registrando recordes de aportes estrangeiros em startups brasileiras.

Startup de educação Galena é fundada por Guilherme Luz e Eduardo Mufarej, em terceiro projeto juntos após Tarpon e Somos Educação
Startup de educação Galena é fundada por Guilherme Luz e Eduardo Mufarej, em terceiro projeto juntos após Tarpon e Somos Educação
Foto: Divulgação/Galena / Estadão

"Para nós, esse cheque vai permitir investir em tecnologia e em pessoal na Galena. Mas também é a validação de um fundo estrangeiro qualificado que aceita investir em nós", explica ao Estadão o empresário Guilherme Luz, presidente executivo e fundador da startup ao lado de Eduardo Mufarej (criador do programa Renova Brasil, de treinamento de lideranças políticas) — este é o terceiro projeto conjunto dos dois empreendedores, que criaram a Tarpon e Somos Educação. "É um aporte que teve esses dois sabores para nós."

Também participaram da atual rodada Exor N.V. (acionista da Ferrari, Juventus e The Economist), Owl Ventures, Reaction e Globo Ventures. Como pessoa física, participaram David Velez (fundador e atual presidente global do Nubank), Kevin Efrusy (investidor de QuintoAndar, Olist e Nuvemshop), Dan Rosensweig, o economista Armínio Fraga (ex-Banco Central) e Romero Rodrigues (cofundador do Buscapé).

A startup, fundada ao final de 2020, já havia levantado em março de 2021 outros US$ 7,3 milhões em rodada do tipo semente, quando os cheques vêm com intuito de testar o modelo de negócio.

A fórmula parece ter dado certo: há duas semanas, a Galena viu começar sua terceira turma de estudantes, todos de escola pública e recém-saídos do Ensino Médio, público-alvo do treinamento. Ao todo, já são 408 alunos em curso pelo Brasil, e há o objetivo de formar 50 mil em cinco anos.

Para começar o curso, os alunos recebem um notebook e conexão de internet. Em seguida, ao longo de quatro meses com oito horas diárias em videoconferência, eles aprendem a trabalhar habilidades socioemocionais ("soft skills"), a lidar com ferramentas corporativas (como planilhas e agenda compartilhada, por exemplo) e até a dominar jargões do mundo dos negócios. As tarefas são em grupos e em tempo real, sem videoaulas gravadas.

Terminado o programa, os estudantes começam a pleitear vagas juniores em grandes empresas, como nas áreas de vendas e sucesso dos clientes. Atualmente, o portfólio de parceiras da Galena é bastante variado, indo de startups (Nubank, iFood, Stone, QuintoAndar e Cora) a nomes tradicionais (Unilever, Itaú e Dell).

"A escola não prepara o jovem para a prática do trabalho e a maioria das pessoas não transita para esse mundo de forma natural", aponta Luz. Para ele, é preciso "resgatar" esses estudantes que têm potencial, mas não estão inteiramente aptos para o mercado. "Não podemos desperdiçar esses talentos por falta de oportunidade ou apoio."

Realizada a contratação em regime CLT e com salário superior a R$ 2 mil mensais, os ex-alunos da Galena devem iniciar o pagamento do curso que fizeram, podendo pagar à vista (R$ 3,5 mil) ou em até 24 parcelas que totalizam R$ 7,5 mil. O modelo é similar ao que faz a Provi, que financia cursos da área de tecnologia (como programação) a estudantes que, após contratados, iniciam o pagamento das parcelas.

"Esses jovens estão em condições financeiras melhores do que estavam antes, porque estão empregados. Além disso, eles conseguem ser promovidos nessas grandes empresas e, nesse meio-tempo, o financiamento ajuda a trazer novos estudantes para a Galena", explica Luz.

Estadão
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