0

SoftBank fará menos investimentos no Brasil em 2020, mas cheques maiores, diz executivo

Segundo André Maciel, líder da operação da empresa no País, fundo já avaliou mais de 300 empresas na América Latina; em evento em São Paulo, ele garantiu que há recursos para novos aportes em startups que já fazem parte do portfólio

13 dez 2019
12h11
atualizado em 14/12/2019 às 20h33
  • separator
  • 0
  • comentários

Depois de fazer dez aportes em startups brasileiras ao longo de 2019, o grupo japonês SoftBank seguirá investindo no País ao longo de 2020. Segundo André Maciel, líder da operação brasileira da empresa, o fundo latino do conglomerado fará menos investimentos no ano que vem, mas trará cheques maiores em suas rodadas de aporte. Segundo o executivo, já foram realizados 19 investimentos na América Latina, mas apenas 14 deles foram revelados no mercado. "Aportamos entre R$ 6 bi e R$ 10 bi até agora", disse Maciel. É apenas uma fração dos US$ 5 bi que a empresa destinou para seu fundo latino, revelado ao mercado em março.

Segundo o executivo, há recursos destinados para novos aportes em startups que já fazem parte do portfólio do fundo (prática conhecida como follow-on no mercado). "É o melhor tipo de investimento, porque normalmente significa que as empresas já têm modelo provado e só precisam de mais capital", afirmou ele, durante evento com jornalistas realizado pela empresa na manhã dessa sexta-feira, 13, em São Paulo. De acordo com Maciel, o SoftBank já analisou mais de 300 empresas no mercado latino. Destas, 15 chegaram a uma análise mais profunda (due dilligence, no jargão do mercado), mas não chegaram a fechar um acordo com o grupo japonês.

Durante o evento, Maciel admitiu que o fundo "já realizou seus aportes mais óbvios, mas não fizemos ainda nossos maiores cheques." "Ainda não sabemos como será o portfólio, porque temos cinco anos para investir. Esperamos mortalidade de algumas empresas, o que é natural, mas vamos manter o ritmo de investimentos", afirmou.

A maior rodada da qual o SoftBank participou foi a de US$ 1 bilhão na startup colombiana Rappi, realizada em abril deste ano. Além dela, o grupo já investiu nas brasileiras Loggi, Creditas, QuintoAndar, Gympass, Buser, Olist, Vtex, MadeiraMadeira, Volanty e Banco Inter, bem como nas mexicanas Clippy e Konfío e na fintech argentina Ualá.

Dificuldades

Se na América Latina o clima do SoftBank é de otimismo, com investimentos nas startups da região, o mesmo não se pode dizer do que acontece no mundo - recentemente, o grupo japonês teve de desempenhar US$ 10 bilhões para socorrer a operação do WeWork, que entrou numa crise após seu prospecto de abertura de capital não ser aceito pelo mercado.

Líder do fundo latino do SoftBank, Marcelo Claure teve de assumir a presidência do conselho da startup de escritórios compartilhados após a crise. "Ele tem um monte de trabalho", disse Maciel. Mas o líder brasileiro do SoftBank não vê a empresa desanimando após o tropeço. "O We Work é um dos maiores desafios que nós temos atualmente, houve erros e lições a serem aprendidas. Mas é preciso entender que, na média, o empreendedor vai sempre contra as normas."

De acordo com o executivo, outro desafio que a companhia precisa superar é a falta de desenvolvedores e programadores experientes no Brasil. "Conseguimos encontrar profissionais iniciantes, mas falta quem suporte a construção de arquitetura de tecnologia de uma empresa", comentou Maciel. Também presente no evento, o presidente executivo da Gympass no Brasil, Leandro Caldeira, concordou: "criamos nosso hub de inteligência artificial em Nova York por conta disso".

Estadão
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade