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PMEs são filão a ser explorado por startups, aponta pesquisa

De acordo com um estudo do banco BTG Pactual e da empresa de inovação Ace, hoje existem 2.683 startups brasileiras dedicadas ao mercado das PMEs

10 jul 2019
05h11
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Responsáveis por 27% do PIB, as pequenas e médias empresas brasileiras ainda têm baixo nível de sofisticação tecnológica, o que pode torná-las um grande mercado para startups - empresas iniciantes que desenvolvem soluções que podem ser adotadas em larga escala. É o que aponta um estudo inédito feito por uma parceria entre o banco BTG Pactual e a empresa de inovação Ace, divulgado nesta quarta-feira: segundo o estudo, hoje existem 2.683 startups brasileiras dedicadas ao mercado das PMEs - um número que deve crescer nos próximos anos, esperam os responsáveis pelo levantamento.

"Até pouco tempo, as pequenas e médias empresas ficavam limitadas ao que conseguiam desenvolver dentro de casa. Hoje, com tecnologias como computação em nuvem, podem adotar soluções de startups e criar valor como nunca", avalia Pedro Waengertner, cofundador da Ace.

Contabilidade e crédito são áreas de oportunidade

Segundo dados do estudo, por exemplo, só 21% das pequenas e médias empresas, por exemplo, usa alguma solução de contabilidade tecnológica. Enquanto isso, uma startup como a catarinense ContaAzul, que trabalha justamente neste setor, já é cotada como um dos possíveis unicórnios brasileiros - empresa avaliada acima de US$ 1 bilhão. "Hoje, o empreendedor brasileiro faz fluxo de caixa no caderninho ou no Excel. Com tecnologia, é possível ganhar mais eficiência", diz Frederico Pompeu, sócio do BTG Pactual.

Na visão do executivo da instituição financeira, outra oportunidade latente para as startups brasileiras está na área de concessão de crédito e serviços financeiros ao pequeno empresário - segundo dados da pesquisa, 56% das PMEs estão insatisfeitas com o atendimento dos bancos tradicionais. "Eles reclamam muito das tarifas altas e também dizem que o crédito dos bancos é muito caro", avalia Pompeu. "Com startups e bancos novos cobrando tarifas menos excessivas, há enormes oportunidades."

Para que esse cenário se concretize, porém, o executivo do BTG avalia que as fintechs (startups de serviços financeiros) interessadas em atender PMEs precisam se tornar mais conhecidas e investir na educação do mercado. "Hoje, há um comportamento curioso: mesmo tomando dinheiro das fintechs, e não emprestando, o empresário fica com medo de tomar um golpe", diz Pompeu.

Vender para PMEs é mais fácil, mas faltam soluções para as médias, diz especialista

Além dos dois setores, a pesquisa também aponta que áreas como planejamento, vendas e gestão de pessoas apresentam oportunidades para as startups. Por outro lado, segundo o sócio do BTG, conseguir contratos com as pequenas e médias empresas também é mais fácil para as novatas de tecnologia. "As empresas grandes têm processos muito burocráticos, enquanto em uma PME quem decide o que vai ser feito é o dono", diz Pompeu. Além disso, também é mais fácil conquistar clientes corporativos do que usuários finais - que demandam muito gasto em marketing, por exemplo. Não é à toa que, segundo o levantamento, três em cada quatro startups brasileiras prestam serviços para empresas. Além disso, 84% das fintechs disseram ter a intenção de realizar produtos e serviços para as pequenas.

Na visão de Waengertner, da Ace, outro filão a ser explorado é das médias empresas. "Durante a pesquisa, percebemos que os empreendimentos com faturamento anual de até R$ 5 milhões são melhor atendidas que as empresas maiores", disse. "Elas têm complexidades diferentes, mas que podem ser atendidas com tecnologia. Estamos apenas arranhando a superfície."

Estadão
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