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Uber muda abordagem judicial de casos de assédio sexual

15 mai 2018
11h50
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A Uber está mudando sua política judicial relacionada a casos de assédio sexual ocorridos em veículos de parceiros da companhia. A partir de agora, as vítimas não serão mais obrigadas a assinarem acordos de confidencialidade durante a mediação dos processos na Justiça ou após o aceite de acordos financeiros para compensação. A mudança vale, inclusive, para os casos que ainda estão em andamento.

Uber
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Foto: Canaltech

Segundo o diretor jurídico da Uber, Tony West, a mudança era mais do que necessária, garantindo às vítimas o controle necessário sobre suas próprias histórias. Não sendo mais obrigadas a manter confidencialidade, quem sofrer abuso pode lidar de forma melhor com o trauma e "contar suas histórias" para o público, caso assim deseje.

Além disso, a companhia revogou sua tradicional abordagem de tentar resolver tais questões sempre fora dos tribunais. De acordo com West, agora esse controle também fica nas mãos das vítimas, que, se desejarem, podem levar os casos para fora do campo privado, às esferas judiciais. Isso também vale para todos os casos que se encontram em andamento.

As mudanças fazem parte de um processo de transparência que também vai envolver a divulgação periódica de relatórios sobre incidentes, incluindo principalmente os de assédio sexual, nos carros operados pelos motoristas da companhia. A Uber não disse exatamente quando vai começar a divulgar tais documentos, afirmando apenas que isso deve levar "algum tempo".

Mais do que isso, a nova política faz parte do pacote de alterações ao qual a empresa vem se submetendo desde sua mudança de gerência, começada com a saída do CEO e fundador Travis Kalanick e a entrada do atual presidente, Dara Khosrowshahi. Desde então, a Uber vem passando por um processo de recuperação da confiança do público e motoristas após uma série de escândalos e polêmicas relacionadas à administração anterior.

A política relacionada à confidencialidade era, justamente, uma das facetas desse passado do qual a Uber deseja se distanciar. Estranhamente, porém, ela não foi uma das primeiras a serem abordadas diretamente pela companhia, em uma decisão que motivou críticas de muita gente.

Falando sobre o assunto na última semana, em entrevista à rede de TV americana CBS, Khosrowsahi já havia adiantado a mudança, afirmando que a Uber não tem a intenção de calar ninguém. Para o executivo, a liberdade pessoal é um dos maiores valores da companhia e isso passa, é claro, pela autonomia de vítimas de lidarem da forma que desejarem com o que acontecer com elas.

Mais segurança

Junto com as mudanças na abordagem judicial, a Uber também anunciou uma nova função que deve trazer mais segurança para os motoristas. Nas próximas atualizações do aplicativo, eles poderão compartilhar informações de suas corridas em tempo real com até cinco contatos, que poderão acompanhar durante todo o tempo onde eles estão e as informações do passageiro que transportam.

Além disso, a Uber pretende implementar um "botão de emergência", que fará o mesmo, mas compartilhará as informações com as autoridades. A ideia é dar mais proteção aos condutores e evitar incidentes como assaltos, sequestros e outros que muitos motoristas, principalmente no Brasil, sabem ser uma realidade constante.

Canaltech Canaltech

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