Tarcísio diz que indultaria Bolsonaro em 1º ato como presidente
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou na sexta-feira (29) que, se eleito presidente, seu primeiro ato no cargo seria conceder indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-mandatário cumpre prisão domiciliar desde o início do ano e pode ser condenado a até 43 anos de prisão por tentativa de golpe contra as instituições democráticas.
"Na hora. 1º ato. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado", disse Tarcísio em entrevista ao Diário do Grande ABC. A declaração ocorreu a poucos dias do início do julgamento de Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal), marcado para a próxima terça-feira (2), e aumentou as especulações sobre os efeitos políticos de uma possível condenação.
Tarcísio será candidato em 2026?
Apesar da fala de impacto, o governador negou intenção de disputar a Presidência em 2026. "Eu não sou candidato à Presidência, vou deixar isso bem claro. Todo governador de São Paulo é presidenciável pelo tamanho do Estado, mas na história recente só Jânio Quadros e Washington Luís chegaram à Presidência", declarou.
Não foi a primeira vez que o nome de Tarcísio surgiu vinculado a um eventual perdão. Em julho, ele já havia dito que "qualquer candidato de centro-direita" deveria conceder indulto a Bolsonaro, caso houvesse condenação. A fala repercutiu entre aliados e críticos, reforçando a percepção de que o tema seguirá presente no debate eleitoral.
Outros governadores assumiram posições semelhantes. Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, ambos pré-candidatos à Presidência, também se comprometeram a dar indulto ao ex-presidente caso cheguem ao Planalto. As manifestações mostram que a defesa de Bolsonaro se tornou bandeira comum no campo da centro-direita.
Na mesma entrevista, Tarcísio voltou a criticar o Judiciário. Disse não confiar nos elementos apresentados para sustentar a acusação contra Bolsonaro. "Infelizmente, hoje eu não posso falar que confio na Justiça, por tudo que a gente tem visto", declarou.
O governador defendeu ainda a anistia para os condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro. Lembrou que medidas semelhantes foram tomadas em diferentes momentos da história do País e pediu que a decisão seja votada pelo plenário da Câmara dos Deputados. "Entendo que os presidentes da Casa têm que submeter isso à vontade do plenário, e não pode ter interferência de outro Poder", concluiu.