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Taiwan quer ampliar gastos militares em meio a tensões com a China

10 out 2026 - 13h07
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Resumo
O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, anunciou um plano para elevar os gastos militares a um patamar recorde de 3% do PIB até 2027, visando dissuadir uma invasão da China em meio à crescente pressão de Pequim, que reivindica a ilha e rejeita o diálogo. Para fortalecer sua defesa, Taipei conta com o suporte histórico dos Estados Unidos e aguarda a aprovação de compras bélicas, apesar de declarações do ex-presidente Donald Trump sugerindo tratar a ilha como moeda de troca nas relações com os chineses.

Presidente do território contestado por Pequim quer aumentar gastos com defesa para "dissuadir uma guerra". Governo conta com apoio dos EUA, apesar de Trump ter sugerido usar a ilha como "moeda de troca" com os chineses.O governo de Taiwan planeja aumentar os gastos com defesa com o objetivo de dissuadir uma guerra, afirmou neste sábado (10/10) o presidente Lai Ching-te. A declaração, feita em um discurso de Lai no Dia Nacional de Taiwan, surge em um momento em que a China intensifica a pressão militar para afirmar sua reivindicação sobre a ilha autogovernada.

"Nosso objetivo ao aumentar investimento em defesa não é provocar, mas sim dissuadir a guerra", disse Lai Ching-te
"Nosso objetivo ao aumentar investimento em defesa não é provocar, mas sim dissuadir a guerra", disse Lai Ching-te
Foto: DW / Deutsche Welle

O governo de Lai destinou um valor recorde de 1,1 trilhão de dólares taiwaneses (R$ 5,5 trilhões) para gastos com defesa em 2027, o que equivale a mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

"Nosso objetivo ao aumentar o investimento em defesa não é provocar, mas sim dissuadir a guerra", disse Lai. Governos sucessivos aumentaram os gastos militares à medida que Taiwan fortalece suas defesas contra uma possível invasão chinesa e busca demonstrar aos Estados Unidos seu compromisso em se defender.

Os 23 milhões de habitantes de Taiwan convivem constantemente com a ameaça de um ataque chinês. Pequim, inclusive, não descartou o uso da força para colocar a ilha sob seu controle.

"Não buscamos hegemonia, nem dominar outros países", disse Lai em seu discurso anual em frente ao Gabinete Presidencial em Taipei, evento que contou com a presença de milhares de pessoas, incluindo diplomatas estrangeiros.

Ele alertou que a paz não pode ser tomada como garantida, e acusou a China de usar atividades militares e ações em uma "zona cinzenta" para alterar o status quo no Estreito de Taiwan. Lai saudou as conversas entre os Estados Unidos e a China, mas ressaltou que Pequim deve respeitar "o direito do povo de Taiwan de existir".

Taiwan como "moeda de troca" dos EUA com a China

Autoridades em Washington e Taipei afirmaram repetidamente que a política dos EUA em relação a Taiwan permanece inalterada durante a Presidência de Donald Trump, embora algumas de suas declarações tenham gerado preocupações em Taipei.

Em 2024, Trump sugeriu que Taiwan deveria pagar aos EUA por sua proteção. "Não somos diferentes de uma companhia de seguros", afirmou.

Em maio deste ano, ele sugeriu que as vendas de armas dos EUA para Taiwan poderiam ser usadas como moeda de troca em negociações com o presidente chinês, Xi Jinping, após o encontro entre ambos em Pequim.

Taiwan aguarda a aprovação de Trump para uma venda de armas no valor de 14 bilhões de dólares, incluindo o sistema de defesa aérea Patriot, de fabricação americana.

Na cúpula entre Trump e Xi realizada em Washington, em setembro, o comércio e a inteligência artificial dominaram a pauta. A questão de Taiwan - um dos temas mais espinhosos entre Washington e Pequim - foi discutida apenas a portas fechadas.

Antes do discurso de Lai, caças taiwaneses e dois helicópteros Chinook, que transportavam grandes bandeiras de Taiwan, sobrevoaram a capital.

Diante das Forças Armadas muito maiores da China - que continuam a expandir seu arsenal com armas avançadas, incluindo caças, porta-aviões e uma ampla variedade de mísseis -, Taiwan vem aumentando os gastos com defesa e buscando modernizar suas próprias forças, com Washington sendo o principal aliado de segurança de Taipei.

Pequim rejeita diálogo com Taipei

Pequim, que jamais renunciou ao uso da força para colocar Taiwan sob seu controle, classifica Lai como um "separatista" e rejeitou suas ofertas de diálogo. Taiwan, governada democraticamente, enfrenta pressão militar e política cada vez maior da China, que reivindica a ilha como seu território, apesar das fortes objeções do governo de Taipei.

Os EUA saudaram o compromisso de Lai em manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan. Uma autoridade do governo americano declarou, referindo-se à China, que "um discurso de rotina não justifica ações agressivas ou coercitivas".

Os Estados Unidos transferiram suas relações diplomáticas oficiais de Taipei para Pequim há quase 50 anos, mas Washington jamais retirou seu apoio a Taipei.

As celebrações deste sábado marcaram o 115º aniversário da revolução de 1911, que derrubou a dinastia Qing e abriu caminho para a fundação da República da China.

A disputa entre a China e Taiwan remonta à guerra civil chinesa, quando o líder nacionalista Chiang Kai-shek fugiu para a ilha em 1949, após suas forças serem derrotadas pelos comunistas de Mao Tsé-tung.

rc (AFP, Reuters, dpa)

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