Soluções financeiras ganham força na gestão escolar
Plataformas de pagamentos ajudam instituições a reduzir inadimplência e manter previsibilidade em meio ao endividamento das famílias.
O endividamento crescente das famílias brasileiras tem colocado pressão sobre diversos setores da economia, e a educação privada não está imune a esse cenário. Escolas particulares enfrentam desafios cada vez maiores para manter a previsibilidade no recebimento das mensalidades, o que impacta diretamente a gestão financeira e o planejamento das instituições.
Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, divulgado pela Veja, aponta que o nível de endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,2% em fevereiro de 2026, um aumento de 3,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025, quando estava em 76,4%. Esse contexto reforça a necessidade de soluções que ofereçam estabilidade às instituições de ensino e alternativas às famílias.
Nesse cenário, plataformas financeiras educacionais têm ganhado relevância ao permitir que escolas mantenham fluxo de caixa previsível, reduzam a inadimplência e garantam receita mesmo diante de atrasos.
Dados de uma pesquisa da Linx e Sponte, compartilhados pela CNN Brasil, mostram que a taxa de inadimplência em instituições de ensino caiu de 22,63% em 2023 para 20,36% em 2024. O dado evidencia como ferramentas deste nicho podem ajudar famílias a manter os estudos dos filhos e assegurar estabilidade às escolas.
Amanda Galindo, diretora de marketing da PagEdu Bank, plataforma especializada em gestão financeira para escolas, explica que o maior obstáculo enfrentado pelas instituições atualmente é a falta de previsibilidade. "Devido à possível falta de pagamento das mensalidades, a unidade de ensino não sabe exatamente quanto vai receber naquele mês, o que pode travar investimentos na instituição. Além disso, ainda existe muita energia sendo gasta em cobrança manual, o que não deveria ser prioridade", afirma.
A PagEdu Bank atua de ponta a ponta para mitigar riscos de inadimplência, automatizando a cobrança. A solução utiliza múltiplos canais e oferece alternativas de pagamento, incluindo boleto, Pix, pagamento no cartão em até 12x e financiamento. Ao utilizar a funcionalidade, a instituição pode ter uma redução média de cerca de 27% na inadimplência.
Impacto na rotina administrativa
Luciano Rios, diretor de crédito e risco da
PagEdu Bank, destaca que a adoção de soluções financeiras ajuda a mudar o patamar da operação escolar. "A unidade deixa de ser operacional e passa a ser estratégica. A cobrança sai da rotina interna e passa a ser feita por especialistas, com tecnologia e escala".
Ele acrescenta que as funcionalidades são concretas tanto para gestores quanto para famílias. "Para a escola, isso significa maior previsibilidade, um caixa mais saudável e menos inadimplência. Para as famílias, isso gera flexibilidade, acesso a crédito e uma experiência simples de pagamento. É um modelo que pode equilibrar os dois lados", avalia.
De acordo com Andréia Torres, diretora comercial da PagEdu, o retorno das instituições tem sido positivo. "O principal feedback das escolas é que 'ganharam controle sobre as contas', passando a ter previsibilidade e deixando de lidar com cobrança no dia a dia. Já as famílias valorizam a facilidade, com possibilidade de pagamento 24h, múltiplas opções e acesso a crédito. E, com certeza, isso pode gerar maior satisfação entre escola e família", menciona.
Perspectivas de mercado
O fortalecimento das soluções financeiras educacionais no Brasil também se conecta a um cenário mais amplo de inovação. Um mapeamento realizado pela A&S Partners revela que
o país concentra quase 60% das startups financeiras da América Latina, evidenciando a relevância do mercado nacional na criação de ferramentas voltadas à gestão de crédito, pagamentos e estabilidade financeira.
Para Torres, a tendência é de crescimento acelerado do setor nos próximos anos. "A demanda por acesso e permanência dos alunos só aumenta, e soluções financeiras serão cada vez mais parte central disso", conclui a executiva.
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