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Série 'HQuem - A Arte de Desenhar Histórias' reúne expoentes dos quadrinhos brasileiros

'É um modo relevante de compartilhar visões de mundo para um público mais amplo', diz Marcelo D'Salete, um dos convidados da produção, que estreia nesta quinta, 7, no Prime Box Brazil

7 jan 2021
10h10 atualizado em 30/3/2021 às 14h00
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10h10 atualizado em 30/3/2021 às 14h00
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Estreia nesta quinta-feira, 7, às 21h30, no canal por assinatura Prime Box Brazil, a série HQuem - A Arte de Desenhar Histórias e integra o Mês do Quadrinho Brasileiro. Dirigida por Rozane Braga, produção destaca o trabalho de 13 artistas nacionais, que mostram seus trabalhos e a técnica que usam e falam da importância dessa categoria.

Entre os convidados da produção está Marcelo D'Salete, ganhador dos prêmios Jabuti e Eisner (2018), que surge no quarto episódio. Para o quadrinista, "a série explora o vasto universo dos criadores de histórias em quadrinhos no Brasil hoje. Este mercado cresceu muito nos últimos anos, seja na web ou no formato impresso para as livrarias".

Autor de livros como Cumbe (2014) e Angola (2017) e reconhecido como o quadrinista da negritude, D'Salete acredita na força do quadrinho, que "possui recursos e meios artísticos próprios e proporciona uma experiência de leitura muito rica, para públicos de diferentes idades". Segundo o artista, essa arte tem o poder de desenvolver narrativas sobre nossa história, "explorando os quadrinhos, é um modo relevante de compartilhar visões de mundo para um público mais amplo". Quanto ao momento atual para a sua profissão, afirma que os artistas de quadrinhos são responsáveis por desenvolver, nos últimos anos, diferentes modos de criação. "O recurso convencional do papel e nankim ainda é usado, mas não podemos esquecer de artistas que hoje utilizam recursos digitais em todo o processo de criação."

Em outros episódios, estarão retratados Wagner William, autor de Silvestre, que venceu Jabuti 2020 de Melhor Quadrinho. Em sua participação, o potiguar de 42 anos mostra detalhes de Bulldogma (2016), que mostra a rotina de uma ilustradora ao lado de seu buldogue francês. Destaque também para Fabiane Langona, que conquistou seu espaço, sendo uma das poucas cartunistas mulheres a ter tirinhas publicadas em jornais diários de grande circulação. A gaúcha de 36 anos revela os motivos de seu pseudônimo 'Chiquinha', além de falar sobre seu trabalho nos quadrinhos. Outro nome que surge no seriado é Mateus Santolouco, que despontou no cenário com Mondo Urbano (2010). Reconhecido internacionalmente, o também gaúcho, de 41 anos, é celebrado como dos principais autores da franquia Tartarugas Ninja.

Os demais nomes a compor a série Hquem, que conta com roteiro de Pedro Salomão, são Eloar Guazzelli, Roberta Cirne, Diego Guerlach, Julia Bax, Gabriel Jardim, Fabio Zimbres, Ana Luiza Koehler, Arthur Garcia e Roger Vieira. E, entre um depoimento e outro dos retratados, estudiosos do gênero e fãs de quadrinhos refletem sobre o tema.

Toda quinta-feira, às 21h30, canal exibe um episódio diferente, que ganha reprise às sextas, 9h30, domingos, às 11h, segundas, às 9h, terças, às 12h30, e quartas, às 12h.

Duas perguntas para Rozane Braga, diretora da série

Como foi feita a escolha dos quadrinistas?

Estávamos interessados nos quadrinistas da terceira geração. Achávamos que já tínhamos muitos relatos sobre mestres como Mauricio de Souza, Ziraldo, Laerte e Angeli, por exemplo. Queríamos saber o que essa galera mais jovem estava produzindo: as dificuldades e oportunidades, como eles estavam vendo o momento atual.

A partir de um argumento desenvolvido há alguns anos pela FBL Criação e Produção, o Pedro Salomão, roteirista da série, e a Adriana Miranda, codiretora, fizeram uma pesquisa bastante grande para cobrir todos os assuntos que queríamos abordar. Um grande facilitador foi o nosso contato com alguns especialistas, como o Jal (criador do troféu HQMIX) e o Ramon Vitral (responsável pela coluna vitralizado) que indicaram alguns nomes e fizeram uma curadoria.

Procuramos fazer um mix de quadrinistas que, além de representativos no meio, abordassem temas distintos. Além de mostrarem suas obras, teríamos a possibilidade de discutir temas como racismo, regionalismo, periferia, terror, obras literárias, feminismo, entre outros. Mas que fossem apresentados de forma leve e acessível, com uma linguagem dinâmica e estética agradável aos fãs das Hqs.

No meu entender, os episódios estabelecem empatia com o universo dos quadrinhos e levam ao público, de maneira sutil, reflexões maiores. Inclusive sobre a importância desse mercado editorial.

Qual a importância de fazer esse registro?

Estamos em uma fase de desconstrução de tudo, no mercado editorial dos quadrinhos não poderia ser diferente. Cada entrevista nos levou a refletir sobre o momento atual, por exemplo: no episódio da Fabiane Langona, fiquei impactada ao saber que, em pleno século 21, ela é a segunda mulher a publicar tirinhas diárias em um jornal de grande circulação. Um espaço tão masculino ocupado por uma cartunista gaúcha jovem e irreverente ao extremo.

Já o episódio da Julia Bax me fez refletir sobre o mercado independente. É surpreende como o meio digital se tornou essencial para esse universo, possibilitando aos quadrinistas uma maior liberdade criativa, facilitando o contato com os editores e com o público e proporcionando um controle total sobre suas obras e as vendas.

Muito interessante descobrir, também, que os quadrinistas brasileiros tem se destacado no mercado internacional, como os gaúchos Mateus Santolouco, que criou todo o universo reproduzido nos filmes e games das Tartarugas Ninja, e Ana Luiza Koehler, que faz ilustrações magníficas para o mercado Europeu.

Também foi muito legal ver que a criatividade dos quadrinhos está solta de norte a sul do país, com muita produção independente financiada por editais públicos ou vaquinhas eletrônicas.

Estadão
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