Sensação de areia nos olhos pode indicar mais do que olho seco
Embora frequentemente associada ao olho seco, a sensação de areia nos olhos pode ter diferentes origens. De acordo com a Dra. Fabiola Miani Licorini, alterações na produção ou na evaporação da lágrima, além de fatores como uso excessivo de telas e condições ambientais, influenciam o quadro. O diagnóstico correto permite definir abordagens individualizadas e evitar o uso inadequado de colírios.
A sensação persistente de areia nos olhos pode estar relacionada a mais do que um simples desconforto ocular. Além da condição conhecida como síndrome do olho seco, diferentes especialidades oftalmológicas podem provocar esse sintoma, sendo necessária avaliação especializada para um diagnóstico preciso.
De acordo com a oftalmologista Dra. Fabiola Miani Licorini, do Hospital de Olhos de Florianópolis (HOF), integrante da rede Vision One, a sensação descrita pode estar associada a diferentes causas. Ela observa que, além da síndrome do olho seco, o sintoma também pode estar presente em casos de corpo estranho na córnea, conjuntiva ou parte interna das pálpebras (tarsos), lesões corneanas, triquíase (crescimento invertido dos cílios) e uso de lentes de contato mal adaptadas. A médica destaca que o exame oftalmológico é indispensável para o diagnóstico diferencial.
Quando confirmada, a síndrome do olho seco pode ter diferentes mecanismos: evaporação excessiva ou baixa produção de lágrimas. Essa diferenciação, segundo a Dra. Fabiola, é fundamental para definir a abordagem terapêutica, uma vez que o tipo de disfunção influencia diretamente no tratamento.
Determinados grupos apresentam maior propensão ao desenvolvimento da síndrome, conforme explica a oftalmologista. Mulheres na menopausa, por exemplo, são mais vulneráveis devido às alterações hormonais dessa fase. A médica também cita doenças autoimunes, como a Síndrome de Sjögren, além de fatores ambientais que favorecem o ressecamento ocular, como uso excessivo de telas, ar-condicionado, vento e baixa umidade do ar.
Tratamentos e cuidados para a síndrome do olho seco
Embora seja uma condição crônica, a síndrome do olho seco pode ser controlada com diferentes abordagens terapêuticas. De acordo com a médica, o tratamento pode incluir o uso contínuo de lágrimas artificiais, géis, corticoides, imunossupressores, soro autólogo e luz pulsada. A escolha do protocolo, segundo ela, é sempre individualizada conforme o quadro clínico de cada paciente.
Além do tratamento indicado, algumas mudanças de hábito contribuem para o alívio da sensação de areia nos olhos. A oftalmologista recomenda medidas simples, como aumentar a frequência do piscar, fazer pausas periódicas para olhar ao longe e reduzir o tempo diante das telas. Levantar da mesa do computador e direcionar o olhar ao horizonte pela janela já representa um cuidado relevante. A combinação dessas atitudes com o acompanhamento especializado favorece o conforto ocular no dia a dia.
Por outro lado, o uso inadequado de colírios pode comprometer o controle da síndrome e até agravar os sintomas. A médica alerta para a frequência com que os vasoconstritores à base de nafazolina são utilizados como se fossem lubrificantes, sem orientação profissional. O uso indiscriminado desse tipo de colírio pode mascarar sinais clínicos importantes e provocar efeitos adversos à saúde dos olhos.
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