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Rússia ameaça punir Armênia por aproximação com a UE

27 mai 2026 - 14h21
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Kremlin sinaliza suspensão de contratos de fornecimento de petróleo e gás caso país do Cáucaso reforce laços com Bruxelas. Armênios tem buscado ampliar colaboração com a Europa em áreas como defesa e energia.Autoridades da Rússia ameaçaram nesta quarta-feira (27/05) a Armênia com a suspensão de contratos de fornecimento de petróleo e gás natural caso o país do Cáucaso continue a estreitar laços com a União Europeia (UE).

Premiê armênio, Nikol Pashinyan, ao lado de líderes da UE durante cúpula em Yerevan
Premiê armênio, Nikol Pashinyan, ao lado de líderes da UE durante cúpula em Yerevan
Foto: DW / Deutsche Welle

"Em 27 de maio, a embaixada russa entregou oficialmente à parte armênia uma carta do ministro da Energia, Serguei Tsiviliov", afirmou a porta-voz do Ministério do Exterior russo, Maria Zakharova.

A carta, segundo a diplomata, assinala que "caso continue o processo de integração da República da Armênia à UE, a parte russa suspenderá ou denunciará unilateralmente o Acordo entre os Governos da Rússia e da Armênia sobre a cooperação no âmbito dos fornecimentos de gás natural, produtos petrolíferos e diamantes brutos de 2 de dezembro de 2013".

A mensagem é dirigida ao Ministério da Administração Territorial e Infraestrutura da Armênia, que, até o momento, nega ter recebido o documento.

Segundo o jornal russo Kommersant, o ministro Tsiviliov argumenta na carta que o aprofundamento das relações entre a Armênia e a UE põe em risco o futuro da cooperação com Moscou.

"As medidas práticas em curso para aprofundar a interação da Armênia com a União Europeia e a aspiração declarada do governo armênio de ingressar na UE ameaçam a preservação e o desenvolvimento do nível fundamentalmente elevado de cooperação comercial, econômica e de investimento russo-armênia", informou o jornal, citando a carta do Ministério da Energia da Rússia.

Dependente da energia russa

Em virtude do acordo assinado em 2013, a Armênia recebe da Rússia, em condições preferenciais e sem tarifas, 85% de suas importações de gás, dois terços de seus produtos petrolíferos e 50% dos diamantes.

O líder russo, Vladimir Putin, insinuou há algumas semanas que, caso as relações bilaterais esfriem, a Armênia poderia deixar de pagar 177 dólares (R$ 895) por mil metros cúbicos de gás, com o preço podendo aumentar para 600 dólares, valor cobrado dos países europeus que ainda importam gás da Rússia, como Hungria e Eslováquia.

"Os descontos sempre são à custa de alguém [...] não são algo que surge do nada. São à custa da Rússia. É realmente a nossa contribuição para o desenvolvimento da Armênia", afirmou nesta quarta-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Ele reforçou que a Armênia "é um país irmão, sempre foi e será um país irmão. Mas isto é à nossa custa, é preciso chamar as coisas pelo nome; é a nossa ajuda à Armênia".

"Isto está sujeito a revisão. E as corporações podem levantar esta questão. Trata-se de um assunto corporativo, é preciso dirigir-se à Gazprom", afirmou, se referindo à empresa estatal de energia da Rússia.

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, respondeu nesta quarta-feira que "parceiros que respondem com ameaças, mesmo que veladas, agem contra si mesmos".

Embora continue a ser muito dependente de Moscou, o governo armênio tem tentado nos últimos anos diversificar suas fontes de energia e aumentou suas importações de combustíveis da Romênia, Egito e Bulgária, e, desde o ano passado, do Azerbaijão.

"Não é lógico ameaçar a Armênia com preços altos", acrescentou Pashinyan.

Moscou aumenta a pressão

Em uma cúpula recente em Ierevan, capital do país, a Armênia prometeu aumentar a colaboração com a UE em segurança, defesa, energia, transporte e economia digital.

A aproximação armênia da UE em detrimento da União Econômica Eurasiática levou a Rússia a proibir nas últimas semanas as importações armênias de flores e água mineral, além de suspender as compras de vinho e conhaque de várias empresas armênias. Moscou ainda ameaça impor sanções a frutas e verduras.

Pashinyan e Putin entraram em conflito recentemente em torno de liberdades políticas. O líder russo alegou que a oposição pró-Rússia na Armênia estava sendo reprimida, enquanto o premiê armênio respondeu que ninguém em seu país é preso por suas opiniões políticas.

Em meio às tensões entre Armênia e Rússia, e a menos de duas semanas das eleições legislativas armênias, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, assinou nesta segunda-feira em Ierevanvários acordos bilaterais, o que foi interpretado como um apoio a Pashinyan diante da interferência russa, visando a votação de 7 de junho.

rc (EFE, DPA)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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