RJ: Falsa vidente e pai são presos por envolvimento em golpe de R$ 720 milhões em idosa
Diana Rosa Stanesco e Slavko Vuletic estavam foragidos e foram presos durante a operação Sol Poente
A falsa vidente Diana Rosa Stanesco, de 37 anos, e o pai dela, Slavko Vuletic, foram presos durante uma operação da Polícia Civil nesta terça-feira, 16, em Saquarema, no Rio de Janeiro. Os dois são acusados de envolvimento no golpe de R$ 725 milhões aplicado contra uma idosa de 82 anos. Ambos estavam foragidos.
A vítima é viúva de um grande colecionador e negociante de artes e a filha dela, Sabine Boghici, foi presa no último dia 10, acusada de subtrair 16 peças de artistas consagrados. Entre elas, há quadros de Tarsila do Amaral , como Sol Poente, e Di Cavalcanti. Somente três dos quadros são avaliados em mais de R$ 300 milhões. Eles já haviam sido negociados e foram recuperados em uma galeria de arte de São Paulo.
A ação que prendeu a falsa vidente e o pai dela foi denominada Operação Sol Poente e comandada pela Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (Deapti). De acordo com o Jornal O Globo, o grupo de videntes atua há duas décadas, mas raramente têm patrimônios declarados em seus nomes. Os carros de luxos deles foram comprados nos nomes de parceiros. A Polícia os indiciou por associação, estelionato, roubo, cárcere privado e extorsão.
O golpe começou a ser aplicado em janeiro de 2020, quando a idosa saía de uma agência bancária em Copacabana, também na zona sul. Ela foi abordada por uma mulher que se apresentou como vidente e disse que sua filha estaria doente e que morreria em breve. Mas só depois de um ano, ela procurou a Deapti para fazer a denúncia.
“A idosa se dizia vítima de um grupo de videntes que, juntamente com a filha, havia a mantido em cárcere privado. [...] Como ela é mística e acredita no sobrenatural, e porque a filha sofre de depressão desde a adolescência e tinha tentado se matar, ela parou para escutar e seguiu com essa pessoa”, disse o delegado titular Gilberto da Cruz Ribeiro ao O Globo.
Durante o golpe, a idosa foi enganada por duas supostas videntes. A primeira era Diana, que levou a vítima até a casa de uma segunda vidente. Ambas prometeram afastar o que havia de ruim com a filha, e começaram a fazer perguntas pessoais, como endereço e se tinha posses.
“A Diana prometeu uma terceira vidente, a Rosa. Esse vidente disse que sabia que ela tinha posses, que morava em Copacabana, que ela tinha quadros de obras de arte e que ela poderia pagar pelo trabalho. Por conta disso, ela acreditou no dom da mulher”, conta o delegado.
A filha chegou a pedir para que a idosa pagasse o valor pedido pelo grupo, e em duas semanas, ela fez uma transferência de R$ 5 milhões. Durante esse tempo, a filha voltou a morar com ela, demitiu todos os funcionários, e não a deixou se comunicar com ninguém a pretexto da pandemia.
As agressões para obter mais dinheiro começaram nessa ocasião, conforme a reportagem. “Como ela não fez, a filha e a Rosa passaram a levar quadros a pretexto de oração. Eles levaram 16 quadros e R$ 6 milhões em jóias e relógios. No final, a idosa fez transferência de R$ 4 milhões para o Gabriel, filho da Rosa”, afirmou o delegado.
Ainda segundo a reportagem, a vítima conseguiu escapar da casa e ir até a residência de uma amiga, onde se recuperou e voltou ao seu lar com profissionais para fazer a internação da filha. No entanto, quando soube, a filha foi embora, impedindo a internação. Nesse momento, a idosa fez a troca das fechaduras do imóvel e proibiu que ela entrasse.
De acordo com o delegado, os advogados da Sabine disseram para os advogados da idosa que a filha estaria vivendo em uma união estável com a Rosa, inclusive, a filha foi encontrada na casa da falsa vidente.
“Esse grupo trabalha individualmente, brigam entre si, mas como eles precisavam de um enredo. São todos patentes e têm origem cigana. Mas, quem faz o trabalho de adivinhação são as três mulheres”, esclarece Ribeiro.
A autoridade confirmou que elas têm vários registros na polícia ao longo dos 20 anos de atuação. Seis mandados de prisão foram cumpridos, e durante a investigação, Ronaldo faleceu. Hoje, duas pessoas estão foragidas: a Diana e o Slavo. “Cumprimos mandados em 14 locais. Mas, a operação se concentrou na casa da Rosa. Encontramos ela, o Gabriel e a Diana. Encontramos várias obras extraviadas escondidas lá”, afirma.
A Polícia Civil ainda tenta confirmar se duas obras, das cinco levadas, foram venidas para uma galeria de São Paulo.
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