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Por que o papa deita no chão na Sexta-feira Santa? Entenda

Celebração católica em recordação à paixão e morte de Jesus Cristo, com sua crucificação, é marcada por silêncio, oração e abstinência

3 abr 2026 - 04h57
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Momento de prostração feito pelo Papa Francisco no Vaticano
Momento de prostração feito pelo Papa Francisco no Vaticano
Foto: Reprodução/Vatican News

O altar esvaziado. Os santos cobertos. O único dia do ano em que a Igreja Católica não tem missas. Assim se passa a Sexta-feira da Paixão, neste dia 3, para os católicos. É nesse contexto que há uma celebração em memória da morte de Jesus Cristo crucificado e, ao entrar na igreja, o papa – neste ano, o Papa Leão XVI – se deita no chão diante do altar. O ato é conhecido como “prostração” e é replicado por todos os padres ao redor do mundo durante a cerimônia. 

Esse gesto tem um significado profundamente simbólico, é o que conta o padre Rafael Uliano, da Diocese de Tubarão, que também atua como professor da Faculdade Católica de Santa Catarina em Florianópolis. 

“Ele expressa, antes de tudo, humildade radical diante de Deus. É como se o homem reconhecesse a própria pequenez diante do mistério da cruz. Ao mesmo tempo, a prostração é também um sinal de luto e silêncio. A Igreja, neste dia, contempla a morte de Cristo. Por isso, não há canto de entrada, não há saudação inicial. Há apenas o silêncio e esse gesto forte, que traduz dor, reverência e adoração”, explica

Além disso, como complementa, a prostração recorda uma atitude bíblica muito antiga. Nos momentos mais solenes, sobretudo diante do sofrimento e da entrega total a Deus, as pessoas se colocavam por terra, reconhecendo que tudo depende dele. “Portanto, não é apenas um gesto dos ministros ordenados, mas um convite a todos os fiéis: entrar no mistério da Paixão de Cristo com reverência, silêncio e profunda fé”.

O padre José Ulysses da Silva, do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, acrescenta que a prostração é um profundo gesto de humildade, de adoração diante daquilo que custou a Jesus a redenção do povo. 

“Ele abraçou a cruz, ele sofreu, e nós, então, vivemos um pouco daquilo que foi a dor daqueles discípulos de Jesus que presenciaram, principalmente a sua mãe. É nesse momento de adoração de silêncio profundo que toda a comunidade se coloca também diante do mistério da cruz e no mistério da cruz encontra a esperança que vai além da morte na cruz. Logo em seguida a gente faz a proclamação da paixão de Jesus e recorda tudo aquilo”, explica José Ulysses.

Sendo assim, o papa e demais sacerdotes que celebram a Sexta-feira da Paixão demonstram seu respeito, luto e recordação à memória e sofrimento de Cristo ao ser crucificado. “E a Sexta-feira Santa também passa a ser um dia de jejum, de abstinência, de oração profunda. É esse o sentido, é humildade, é respeito a essa cruz, é adoração a Cristo Jesus e é reconhecimento dos nossos pecados, da nossa pequeneza humana que continua, infelizmente, ainda presente no mundo. Basta a gente ver a cruz dessas tristes guerras ainda acontecendo em todo o nosso planeta”, finaliza o sacerdote de Aparecida. 

No Vaticano, a celebração da Paixão de Cristo acontecerá na Basílica de São Pedro às 17h (12h no horário de Brasília). Tradicionalmente, o ato ocorre por volta de 15 horas.

É o único dia em que isso acontece?

Essa é a forma mais solene e conhecida do momento, mas não é a única. A prostração também acontece, por exemplo, durante a Ladainha de Todos os Santos em ordenações:

  • diaconais, o primeiro grau do Sacramento da Ordem na Igreja Católica, quando um homem é ordenado diácono para servir;
  • presbiterais, quando o diácono é ordenado sacerdote;
  • e episcopais, quando o padre é elevado ao grau de bispo

Nesses casos, quem se prostra – ou seja, deita no chão – são os “candidatos”, os novos diáconos, padres ou bispos. 

Em outras profissões religiosas, quando um homem ou uma mulher consagra sua vida a Deus, como no caso de freiras, também é comum ver o ato. E, nestes casos, quem se deita também são os que estão passando pela celebração.

Quaresma, Semana Santa e Páscoa

A Semana Santa teve início no último domingo, dia 29, com a celebração do Domingo de Ramos, que relembra a entrada de Jesus em Jerusalém. Na situação ele é aclamado pela multidão enquanto chega na cidade com humildade, montado em um jumentinho – contrastando com a forma como os poderosos do Império Romano demonstravam sua força na época.

A Semana Santa segue até quinta-feira, dia 2, com a Missa de Lava-pés, onde é representada a Santa Ceia. É neste dia que é celebrada a instituição da eucaristia e o ato humildade de Jesus ao lavar os pés dos 12 discípulos. Após essa celebração tem início um momento de vigília de adoração, o altar é esvaziado, e começa um período de silêncio. 

Com o dia, também tem fim a quaresma, os quarenta dias de preparação para a Páscoa que remetem ao tempo que Jesus passou no deserto antes de iniciar sua vida pública. A quaresma teve início em 18 de fevereiro, durante a Quarta-feira de Cinzas.

Em paralelo, se inicia o Tríduo Pascal da Igreja Católica. Assim chega a Sexta-feira da Paixão, celebrada neste dia 3, seguida do Sábado de Aleluia, onde acontece a Vigília Pascal, a data mais importante da Igreja Católica por representar a ressurreição de Cristo. Por fim, há o Domingo de Páscoa.

Fonte: Portal Terra
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