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Por que não pode comer carne na Sexta-feira Santa? E peixe, pode?

Aos católicos, em preparação para a ressurreição da Páscoa, o dia é de jejum e abstinência em luto à morte de Jesus Cristo na cruz

3 abr 2026 - 04h57
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É na Sexta-feira Santa que se relembra a crucificação de Cristo -- e isso tem a ver com a abstinência de carne
É na Sexta-feira Santa que se relembra a crucificação de Cristo -- e isso tem a ver com a abstinência de carne
Foto: Getty Images

Afinal, por que não se pode comer carne na Sexta-feira da Paixão? E peixe, pode? Aos católicos, a sexta-feira da Semana Santa é um dia de jejum e abstinência em luto ao sacrifício da morte de Jesus na cruz. É o dia que antecede a celebração da Páscoa, que tem início no Sábado Santo durante a Vigília Pascal, sendo a data mais importante da Igreja Católica por representar a ressurreição de Cristo. Entenda mais sobre a tradição, que é uma ‘lei’ aos cristãos. 

O padre Rodrigo Arnoso, da Congregação do Santíssimo Redentor (CSSR) e professor de Teologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), conta que a carne é um alimento que remete ao luxo, e que na Sexta-feira Santa os católicos são chamados a viver na simplicidade e no espírito de solidariedade para com o próximo. 

“Por isso a igreja autoriza o consumo da carne de peixe, sobretudo porque o peixe era o alimento dos pobres, dos pequeninos, daqueles que nada tinham e que poderiam tirar este alimento do mar. Por isso a igreja manteve essa tradição e nós costumamos, na Sexta-feira Santa, fazer o consumo de carne de peixe, evitando a carne vermelha e também a carne de aves”, complementa.

O que, com base nos preceitos da Igreja Católica, não significa, exatamente, que é um dia para fazer a famosa ‘bacalhoada’, comum em lares brasileiros justamente nessa sexta-feira. “A igreja dá preferência para que as famílias se reúnam no domingo de Páscoa, levando em consideração que a sexta-feira é um dia de recolhimento, um dia de oração, um dia para nos encontrarmos de fato com Deus”, argumenta o padre.

Por mais que seja tradição as famílias estarem reunidas na Sexta-feira Santa, ele alerta ser um dia para meditar sobre o mistério da morte, e não, ainda, para celebrar a Páscoa: “Só atingiremos a ressurreição se passarmos pela experiência da morte. Isto é bíblico, a palavra de Deus já nos aponta esta realidade, por isso a igreja convida, ela nos exorta a fazer e a praticar o jejum na sexta-feira, sermos módico no modo de nos alimentarmos para celebrar com alegria o domingo da ressurreição do Senhor."

O intuito de não comer carne, portanto, é exercitar o controle das vontades, dos desejos, e de tudo aquilo que, muitas vezes, atrapalha a pessoa a viver com fidelidade aos ensinamentos de Cristo, explica o padre. É algo carregado de simbolismos. Algo que tem como objetivo relembrar os fiéis do sacrifício de Cristo na cruz. Em paralelo também é um dia de jejum.

E é pecado comer carne na Sexta-feira Santa? Para quem segue a doutrina católica, sim. A Igreja Católica pede para que católicos façam a abstinência de carne vermelha, e não fazê-la, sabendo disso e tendo condições para manter a abstinência, é “se distanciar de Deus”. O mesmo acontece na Quarta-feira de Cinzas, outra data em que não comer carne é um preceito --ou seja, uma das “leis” da Igreja Católica.

“Claro que para aquelas pessoas que não têm condições de comer a carne, isso não seria um pecado. Mas nós temos que pensar sempre que se nós conhecemos e sabemos que naquele dia nós somos convidados a fazer o jejum e sobretudo a nos abstermos de carne vermelha, e nós caímos no erro de consumi-la, significa que estamos vivendo uma situação de pecado”, aponta o sacerdote. 

Ao longo do ano, a Igreja Católica também convida os fiéis a não comerem carne em memória à Sexta-feira da Paixão. Como explica o padre, o intuito da penitência não é “se tornar melhor do que os outros”, mas usá-la como uma forma de exercitar a caridade e o autocontrole dos desejos para uma melhor vida cristã. 

Quaresma, Semana Santa e Páscoa

A Semana Santa teve início no último domingo, dia 29, com a celebração do Domingo de Ramos, que relembra a entrada de Jesus em Jerusalém. Na situação ele é aclamado pela multidão enquanto chega na cidade com humildade, montado em um jumentinho – contrastando com a forma como os poderosos do Império Romano demonstravam sua força na época.

A Semana Santa segue até quinta-feira, dia 2, com a Missa de Lava-pés, onde é representada a Santa Ceia. É neste dia que é celebrada a instituição da eucaristia e o ato humildade de Jesus ao lavar os pés dos 12 discípulos. Após essa celebração tem início um momento de vigília de adoração, o altar é esvaziado, e começa um período de silêncio. 

Com o dia, também tem fim a quaresma, os quarenta dias de preparação para a Páscoa que remetem ao tempo que Jesus passou no deserto antes de iniciar sua vida pública. A quaresma teve início em 18 de fevereiro, durante a Quarta-feira de Cinzas.

Se inicia, assim, o Tríduo Pascal da Igreja Católica. Então chega o momento da Sexta-feira da Paixão, celebrada neste dia 3, seguida do Sábado de Aleluia, onde acontece a Vigília Pascal. Por fim, há o Domingo de Páscoa. 

Fonte: Portal Terra
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