BYD corta 100 mil empregos em reestruturação global: entenda o impacto na marca
Saiba como a gigante chinesa planeja equilibrar a redução de pessoal com o lançamento de baterias que carregam em 5 minutos
A gigante automotiva BYD encerrou o ano de 2025 com uma redução drástica em seu quadro de funcionários, cortando cerca de 100 mil postos de trabalho em uma ampla reestruturação global. O ajuste representa aproximadamente 10% de sua força de trabalho total, fazendo com que a companhia fechasse o período com 870 mil colaboradores ativos. Segundo informações do Jornal do Carro do Estadão divulgadas nesta quinta-feira (02), a fabricante chinesa justifica que a medida foi motivada por melhorias de eficiência e gestão de custos. A empresa enfatiza que os cortes não refletem uma queda na demanda por seus veículos eletrificados, mas sim uma busca por maior agilidade operacional frente à concorrência.
De acordo com executivos da marca, a eficiência na operação é vista como o próximo passo fundamental na disputa pela liderança do mercado automobilístico mundial. Dados obtidos pelo portal de notícias chinês iFeng corroboram que a marca continua em expansão comercial, apesar dos cortes internos. Pela primeira vez na história da empresa, os envios de veículos para o exterior ultrapassaram a marca simbólica de 1 milhão de unidades. Conforme o site de notícias local Sina, o volume exato de exportações atingiu aproximadamente 1,05 milhão de veículos, consolidando a presença da fabricante fora da China.
No mercado brasileiro, o desempenho da BYD em 2025 também foi expressivo e superou a marca de 100 mil carros elétricos e híbridos vendidos. Esse resultado representa um crescimento superior a 30% quando comparado aos 76 mil emplacamentos registrados ao longo de todo o ano de 2024. No entanto, o cenário financeiro apresentou desafios importantes. O lucro registrado pela empresa em 2025 foi de 326,2 bilhões de yuans, o equivalente a 45,6 bilhões de dólares. O número aponta uma queda de 19% em relação ao ano anterior, atribuída pela companhia à forte pressão sobre os preços no mercado doméstico chinês.
Além da guerra de preços, o investimento massivo em novas tecnologias pesou no balanço financeiro. A empresa tem apostado alto em inovações para baterias, como a Blade 2.0, revelada no início de março deste ano. Essa nova tecnologia permite que o carregamento salte de 10% para 70% em apenas 5 minutos, atingindo 97% em menos de 10 minutos. Segundo a CarNewsChina, embora as vendas domésticas tenham caído 41% em fevereiro por fatores sazonais ligados a feriados chineses, a expansão da infraestrutura deve manter a demanda estável. A BYD acredita que a evolução das baterias e a nova estrutura de custos garantirão a sustentabilidade do negócio no longo prazo.