Pernambuco inicia operação para rastrear tubarões no litoral; veja como funciona
Primeira expedição servirá para testar equipamentos e metodologia antes do início regular das atividades científicas.
Após 11 anos, Pernambuco retomou o monitoramento científico de tubarões na Região Metropolitana do Recife por meio do Projeto Ecotuba, conduzido pela UFRPE com aporte de R$ 2,05 milhões. Em 24 meses, a iniciativa prevê capturar, coletar dados biológicos, implantar microchips e soltar até 50 animais, focando nas espécies tigre e cabeça-chata. O rastreamento visa mapear o comportamento dos animais e correlacioná-lo a dados ambientais para guiar a prevenção de incidentes e a gestão costeira no estado.
Pernambuco retomou o monitoramento científico de tubarões no litoral da Região Metropolitana do Recife após 11 anos de interrupção. A primeira saída do Projeto Ecotuba foi realizada na sexta-feira, 4 de setembro, e teve caráter experimental.
A pesquisa será conduzida pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em parceria com órgãos estaduais. O trabalho terá duração de 24 meses e prevê a captura, análise, marcação e soltura de até 50 tubarões.
As primeiras expedições seguem até terça-feira (8). A etapa inicial permitirá testar a embarcação, os equipamentos e a metodologia adotada, além de identificar ajustes necessários para as próximas saídas.
O projeto receberá investimento de R$ 2,052 milhões. Desse total, R$ 1,052 milhão será destinado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, por meio da Facepe, e R$ 1 milhão virá do Fundo Estadual de Meio Ambiente.
Como os tubarões serão monitorados
Os animais serão capturados por meio da pesca científica com espinhel, equipamento formado por uma linha principal com anzóis presos a cabos resistentes e iscas de peixe.
Depois da captura, os tubarões serão levados até a embarcação e terão os olhos cobertos com um tecido escuro para reduzir o estresse durante o manejo. Os procedimentos deverão seguir as normas do Comitê de Ética no Uso de Animais.
A equipe fará a medição do comprimento e a identificação do sexo de cada exemplar. As fêmeas também poderão passar por ultrassonografia para avaliação do estágio reprodutivo.
Serão coletadas amostras de sangue e tecido para estudos genéticos e de biomonitoramento. Cada tubarão receberá uma marca externa na base da primeira nadadeira dorsal, com informações de contato do projeto.
Um transmissor interno, chamado de microchip, será implantado cirurgicamente na região ventral. Depois dos procedimentos, os animais serão devolvidos ao mar.
Os sinais emitidos pelos transmissores poderão ser detectados por receptores instalados no ambiente marinho. As informações ajudarão os pesquisadores a estudar deslocamentos, permanência em determinadas áreas e possíveis conexões entre diferentes pontos do litoral.
Pesquisa terá duas espécies como foco
O monitoramento priorizará o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata, espécies associadas aos incidentes registrados na costa da Região Metropolitana.
A equipe de embarque será formada por seis pesquisadores. Além das informações sobre os animais, serão coletados dados relacionados à temperatura da superfície do mar, salinidade, turbidez da água, direção dos ventos e comportamento das correntes.
O cruzamento desses elementos poderá mostrar como as condições ambientais influenciam a presença dos tubarões em determinadas áreas e períodos.
Dados devem orientar ações preventivas
Os resultados serão utilizados para ampliar o conhecimento sobre a ocorrência, a distribuição e o comportamento dos tubarões no litoral continental.
A expectativa é que os dados científicos auxiliem na definição de estratégias de prevenção de incidentes, segurança aquática, educação ambiental, conservação marinha e gestão costeira.
O monitoramento contínuo dos animais já acontece em Fernando de Noronha. Com a retomada na Região Metropolitana, os pesquisadores também poderão investigar uma possível conexão entre os tubarões encontrados no arquipélago e aqueles que circulam pela costa continental.
Pernambuco contabiliza 84 incidentes com tubarões desde o início da série histórica, em 1992. A maior parte ocorreu no trecho de aproximadamente 33 quilômetros compreendido entre a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a Praia do Farol, em Olinda.
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