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Os desafios que o Brasil enfrentará à frente do G20

1 set 2023 - 11h35
(atualizado em 1/12/2023 às 09h56)
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País assume pela primeira vez presidência rotativa do grupo. Especialistas avaliam que, além de guerra na Ucrânia, alto endividamento de economias emergentes e fragmentação geopolítica serão temas de peso neste período.O Brasil assume nesta sexta-feira (01/12) a presidência rotativa do G20 pela primeira vez. O alto endividamento de economias emergentes, a fragmentação geopolítica global e a guerra na Ucrânia devem ser os desafios que o país enfrentará enquanto estiver à frente do grupo, na opinião de especialistas ouvidos pela DW.

Durante cúpula na Índia, presidência rotativa do Brasil será formalizada. Mandato de um ano começa em dezembro
Durante cúpula na Índia, presidência rotativa do Brasil será formalizada. Mandato de um ano começa em dezembro
Foto: DW / Deutsche Welle

O combate à desigualdade, à fome e o desenvolvimento sustentável no mundo devem ainda serem os temas-chave ao longo deste período, segundo declarações do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, feitas em setembro. Sobre o conflito no Leste europeu, o diplomata afirmou que o governo brasileiro condenou a invasão dao Rússia à Ucrânia, inclusive em foros internacionais, no entanto, busca um caminho para a paz.

Analistas avaliam, contudo, que o Brasil é ambíguo sobre a guerra. "Os votos do país na ONU e as declarações do MRE são bastante moderadas, criticando a invasão da Ucrânia pela Rússia. Mas as falas do presidente Lula e as falas do embaixador Celso Amorim, assessor Internacional, são muito mais simpáticas à Rússia. Embora reconheçam que a guerra é ruim, culpam muito mais o Ocidente que pelo conflito, além da Otan", diz o cientista político Maurício Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha.

Tema não prioritário

A guerra na Ucrânia, porém, é tratada como um tema não prioritário para a presidência rotativa brasileira por instituições relacionadas ao evento. "Não entendemos que o conflito deva ser um tema prioritário do G20. Se conveniente, pode até haver uma manifestação a favor de negociações de paz. Mas esse tema não deve ser dominante no G20 e no T20", alertou o presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), José Pio Borges.

O T20 é uma representação da sociedade civil que reúne think tanks e centros de pesquisa dos países do G20 em cada presidência. Foi criado em 2012, durante a presidência mexicana, e no Brasil será coordenado pelo três instituições: o CEBRI, a Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), vinculada ao MRE, e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento. O grupo participa de conferências e elabora de documentos para influenciar as orientações, recomendações e declarações finais do G20.

"Paz e segurança não são temas que costumam ser tratados no G20. Contudo, obviamente os impactos das guerras devem ser discutidos dentro de suas perspectivas para a agenda do desenvolvimento e dos condicionantes para o seu financiamento", disse à DW a presidente do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, que participou do primeiro encontro do T20 no Rio, junto aos demais integrantes, em setembro.

Para Mauricio Santoro, se existe a possibilidade e interesse de o Brasil se tornar um mediador pela paz, ele precisará deixar clara sua posição sobre a guerra e enfrentar o tema. O cientista social reforça que dentro do governo brasileiro há visões em conflito sobre a guerra e alguns países preferem ficar neutros, como a Índia.

"Entendo essa relutância do Brasil, mas o que compreendo que essa é a grande questão de política internacional do momento", conclui. Se o G20 decidir ficar de fora dessa discussão, Santoro questiona o que então será discutido: "Se quiser realmente enfrentar os grandes problemas, o resultado será uma série de declarações vagas e genéricas sobre a importância do desenvolvimento econômico. Esse é um dilema que vai se colocar para o Brasil".

Fragmentação da economia global

A presidência brasileira enfrentará outras questões, em especial, diante das bandeiras do combate global à fome, desigualdade e defesa do desenvolvimento sustentável. Países em desenvolvimento estão com dívidas públicas elevadas ou impagáveis, segundo o ex-vice-presidente do Banco Mundial, Otaviano Canuto.

"Isso é um problema grave. Vai ter de ter uma reestruturação com perdão de dívida. Mas quando se consegue um acordo, como agora o de Zâmbia, é limitado. O arcabouço que idealmente teria de ser corroborado e adotado por todos os países do G20, que são credores, não está lá", afirma o economista.

Além disso, há um impasse entre, de um lado, os governos de países credores avançados, cujo crédito agora é proporcionalmente menor, porque já perdoou dívidas no passado, e de outro, China, querendo seguir no caminho próprio bilateral, afirma ele. Outro desafio é a crescente fragmentação da economia global. "É um problema que terá de ser discutido de uma forma ou de outra, mesmo que não se ache uma solução", afirma Canuto.

O mundo vem fragmentado desde a guerra comercial iniciada pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump contra a China, rupturas nas cadeias de valor com a pandemia e busca da nacionalização na produção de bens, além da guerra da Ucrânia, que acirrou o componente geopolítico. A despeito das adversidades, há otimismo para a presidência brasileira.

"Há uma expectativa de que o Brasil assuma um papel central na agenda ambiental, tanto climática quanto da transição energética, e ao mesmo tempo avance na discussão sobre o multilateralismo, o financiamento para o desenvolvimento, e declare a centralidade de uma agenda de combate às desigualdades", conclui a presidente do Ipea. Ela afirma ainda que o G20 pode apoiar a preparação da COP 30, que será sediada pelo Brasil em 2025.

Especificamente quanto ao BRICS, Mauricio Santoro alerta que a entrada de mais países, definida na cúpula de agosto do bloco, foi mal-recebida pelos Estados Unidos e Europa. Este é outro elemento dissonante no âmbito do G20.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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