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O que significa a saída dos Emirados Árabes da Opep

28 abr 2026 - 17h46
(atualizado às 17h50)
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Decisão cria novos problemas no Golfo Pérsico. Para a Arábia Saudita, ela representa um duro golpe. Para o presidente Trump, no entanto, é uma vitória. Entenda os principais pontos da medida.Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram nesta terça‑feira (28/04) sua retirada, a partir de 1º de maio, da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), à qual pertenciam há seis décadas, assim como da aliança Opep+.

Oleoduto dos Emirados Árabes: conflito no Irã causou quedas drásticas nas exportações de petróleo dos países do Golfo
Oleoduto dos Emirados Árabes: conflito no Irã causou quedas drásticas nas exportações de petróleo dos países do Golfo
Foto: DW / Deutsche Welle

O que são a Opep e a Opep+?

A Opep é um organismo econômico intergovernamental fundado em 1960 por Arábia Saudita, Venezuela, Irã, Iraque e Kuwait. Sua criação foi motivada pela queda do preço oficial do petróleo bruto, fixado de forma unilateral pelas grandes petrolíferas internacionais conhecidas como as "Sete Irmãs", que dominavam o mercado do petróleo.

A Opep surgiu como um contrapeso a esse domínio, com o objetivo de coordenar e unificar as políticas petrolíferas de seus países membros, além de defender suas receitas provenientes da exportação de petróleo.

Até agora, a Opep era composta por 12 países: os cinco fundadores, além de Emirados Árabes Unidos, Argélia, Nigéria, Líbia, Guiné Equatorial, Congo e Gabão.

A Opep tem sede em Viena e realiza conferências ministeriais ordinárias duas vezes por ano, embora nos últimos anos esses encontros tenham ocorrido apenas de forma virtual.

Desde dezembro de 2016, existe também a aliança Opep+, que reúne os países do grupo e outros 10 grandes produtores de petróleo, inclusive o Brasil, sob liderança da Rússia. O Comitê Ministerial Conjunto de Monitoramento do Mercado (JMMC) da Opep+ se reúne virtualmente a cada dois meses.

Quais são os motivos oficiais da saída dos EAU?

Segundo o governo dos Emirados, a decisão é motivada pelos "interesses nacionais" e pelo compromisso do país de contribuir para atender às necessidades urgentes do mercado, em um contexto de volatilidade geopolítica causada por perturbações no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, que afetam a oferta.

O ministro da Energia e Infraestrutura dos EAU, Suhail bin Mohamed Al Mazrouei, afirmou que a retirada "reflete uma evolução política alinhada com os fundamentos do mercado no longo prazo".

Em que contexto geopolítico ocorre a saída?

A retirada acontece em meio à guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, que provocou o bloqueio do Estreito de Ormuz e ataques a instalações energéticas na região.

Segundo a própria Opep, a produção de petróleo do grupo caiu em março quase 8 milhões de barris por dia (mbd), uma redução de 27,5% em relação a fevereiro, devido ao conflito e ao bloqueio.

A saída dos EAU ocorre em um momento de máxima tensão entre os países vizinhos do Golfo Pérsico, que foram acusados por Abu Dhabi de não fazerem frente aos ataques iranianos contra a infraestrutura energética da região.

Frustração com vizinhos influenciou decisão?

Os Emirados aparentemente se sentem pouco apoiados pelos países vizinhos nessa crise do Irã. O assessor diplomático do presidente dos EAU, Anwar Gargash, criticou abertamente no início da semana os países do Conselho de Cooperação do Golfo.

"Em 2000, assinamos um acordo de defesa conjunta", afirmou Gargash. "E agora precisamos constatar que a posição dos países do Conselho de Cooperação do Golfo - embora seja verdade que tenham se apoiado mutuamente em termos logísticos - foi, do ponto de vista político e militar, historicamente a mais fraca."

"Essa é mais uma mensagem política do que econômica", afirma Marc Ayoub, especialista em energia do Instituto Tahrir, citado pelo portal de notícias Tagesschau, da televisão pública alemã ARD.

"Isso mostra que os Emirados não estão satisfeitos com a liderança da Opep. É um recado para a Arábia Saudita e um indicador do estado das relações saudita‑emiradenses, seja no campo político ou econômico, especialmente nas questões de energia."

A decisão é um golpe direto no principal vizinho e tradicional potência do Golfo: a Arábia Saudita.

Com a saída da Opep, os Emirados também devem deixar claro que estão se aproximando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - inclusive adotando seu estilo de agir, priorizando seus próprios interesses em detrimento de aliados de longa data ou organizações multilaterais. Talvez também por acreditarem que, dessa forma, possam obter maior proteção de Washington.

O que acontecerá com a política petrolífera dos EAU?

As autoridades emiradenses afirmaram que, após deixar a Opep, o país continuará atuando de forma responsável, aumentando a produção de maneira gradual.

O ministro da Energia reiterou o compromisso dos EAU com a segurança energética e com a garantia de um fornecimento confiável. Antes do início da guerra, o país produzia cerca de 3,4 milhões de barris por dia e possui reservas comprovadas de até 113 bilhões de barris, a sexta maior do mundo.

Quais são as implicações para a Opep e a Opep+?

O anúncio dos Emirados ocorre em um momento de elevada volatilidade nos mercados de energia.

Com a saída da Opep, os EAU não precisarão mais cumprir as cotas de produção impostas pelo grupo, o que pode levá‑los a exportar mais petróleo do que antes. Isso poderia moderar os preços em um mercado fortemente pressionado pela guerra e pelo conflito em torno do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo exportado para o mercado internacional.

A retirada dos Emirados representa um desafio para seu grande vizinho, a Arábia Saudita, que domina a Opep+ junto com a Rússia. No passado, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita tiveram diversas disputas sobre os níveis de produção de cada país membro da Opep.

Com a saída dos EAU, a Arábia Saudita passa a ser o único país da Opep com potencial relevante para aumentar a produção. A grande questão será se Riad conseguirá manter unido o que restar da organização.

O último país importante a deixar o grupo foi o Catar, em 2019, para focar mais na produção de gás natural. Outros países que abandonaram a Opep nos últimos anos foram Angola (2023) e Equador (2020).

Quais os efeitos no mercado de petróleo?

De acordo com o especialista em energia Marc Ayoub, os efeitos provavelmente serão principalmente de longo prazo.

"Não terá um grande impacto nos mercados no curto prazo, porque o Estreito de Ormuz está fechado. Mas, no futuro, assim que as exportações se normalizarem, os Emirados Árabes Unidos poderão levar muitos barris ao mercado sem restrições", afirma o analista.

md (EFE, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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