O que esperar dos novos carros da Fórmula 1? Pilotos dão detalhes
Os carros baseados no novo regulamento técnico da Fórmula 1 de 2026 foram para a pista pela primeira vez. Enquanto alguns marcaram mais presença do que outros, o primeiro dia de shakedown em Barcelona trouxe opiniões mistas entre os pilotos.
Sete das 11 equipes participaram do primeiro dia de testes, que ocorreu nesta segunda-feira (27). Entre as equipes ausentes estavam a Ferrari, que já havia prometido chegar mais tarde, e a Aston Martin, que deve aparecer na quinta-feira. Já a Williams Racing não estará presente em nenhum dos dias de treino em Barcelona, como confirmado pelo time por meio de uma postagem nas redes sociais.
Devido à política de sigilo escolhida pela Fórmula 1 para a sessão em Barcelona, não foi possível determinar tempos de volta exatos, porém registros não oficiais apontam a Red Bull de Isack Hadjar como o carro mais rápido do dia. Esteban Ocon, por outro lado, foi o piloto que registrou mais voltas durante o treino.
Neste primeiro momento, é importante observar as equipes que tiveram um início conturbado, principalmente as ausentes, e ouvir as primeiras impressões daqueles presentes. A mudança nas regulamentações aerodinâmicas e a maior dependência da energia elétrica devem reformular como os novos carros serão pilotados e toda a competição.
Qual é a opinião dos pilotos da Fórmula 1?
Entre os pilotos do grid de 2026 que se manifestaram, quem mais soltou elogios foi Andrea Kimi Antonelli, que pilotou o Mercedes W17 pela primeira vez: "Ainda vai demorar um pouco para experimentar todos os modos, ultrapassagem, override, todo esse tipo de coisa, é diferente. Mas o carro é bom, é muito bom de pilotar e, obviamente, no que diz respeito à unidade de potência, é um pouco diferente em comparação com o que tínhamos no ano passado. Requer um pouco mais de gerenciamento, mas é tudo viável", afirmou.
Para Antonelli, a qualidade da nova unidade de potência da Mercedes também foi uma boa surpresa, apesar de ser uma grande incógnita até alguns dias atrás. George Russell, da mesma equipe, também elogiou o novo carro: "Eles são bem diferentes para nós, pilotos, mas, depois que você se acostuma, pilotá-los é bastante intuitivo. É agradável estar ao volante e acho que os fãs têm muito o que esperar com essas novas regulamentações", disse.
Esteban Ocon, cuja equipe Haas trabalhou em vários problemas iniciais, não parecia tão feliz com a nova fase da Fórmula 1 e afirmou ainda achar que a carga de trabalho do piloto no cockpit era "muito complicada" com a unidade de potência Ferrari da equipe.
"É muito diferente, muito complicado", disse Ocon. "Tive a sorte de poder passar muitos dias no simulador antes de começarmos o ano, então estamos bem preparados para isso. Tudo está claro, mas sim, é muito complicado para todos nós. Mas espero que seja assim para todos".
Durante a sessão, Gabriel Bortoleto estreou o primeiro carro da Audi na Fórmula 1 e sentiu que o modelo de 2026 é "muito diferente, mas não outro mundo". O brasileiro, no entanto, possui pouca experiência com a era anterior e está acostumado a trocar de carro a cada temporada desde sua rápida ascensão na categoria de base.
"Eles são muito diferentes. Parecem um pouco diferentes. Não sei como expressar isso porque realmente não pilotei nenhum carro semelhante no passado. Eu diria que o carro de Fórmula 2 é muito mais lento do que os antigos regulamentos da Fórmula 1. E sinto que esses também serão mais lentos", explicou Bortoleto.
"Mas é muito legal ter a unidade de potência sendo 50% elétrica agora. Você sai da curva, tem muita velocidade sendo empregada e então pode ver como ela é forte. E essas coisas são diferentes e você precisa se acostumar com isso e adaptar sua maneira de pilotar o carro também, mas ainda é um carro de corrida e não é outro mundo. É apenas uma nova mudança no regulamento que é muito diferente", concluiu.
Para Franco Colapinto, da Alpine, que foi um dos três pilotos a parar temporariamente na pista por precaução, concordou com a análise de Bortoleto: "Eles são muito diferentes, mas no final das contas ainda é um carro de corrida, e você precisa pilotá-lo rapidamente na aderência disponível, e isso é muito semelhante", afirmou. "No final das contas, a técnica está mudando um pouco, o gerenciamento de energia, os pneus são muito mais finos, menores e, claro, precisamos adaptar nossa pilotagem também."
Por fim, Liam Lawson, da Racing Bulls, admitiu que ainda não entendeu o carro completamente e está tentando se adaptar à primeira unidade de potência interna da Red Bull, construída em colaboração com a Ford na Fórmula 1: "É algo que continuaremos aprendendo nos próximos dias e semanas, quando formos para o Bahrein também. Mas é muito, muito diferente", disse.
"Parece que há muito mais que podemos fazer como pilotos para fazer a diferença, o que é bom. Mas, neste momento, ainda é muito cedo. Por isso, é muito difícil saber onde estamos. Mas, por agora, estou apenas a tentar aprender a otimizar o carro. Até agora, estou a gostar".
"O principal neste momento é a confiabilidade. Demos um bom número de voltas hoje, com apenas alguns pequenos problemas. E, honestamente, os únicos problemas que realmente tivemos hoje foram precauções de segurança, não problemas reais", explicou Lawson. "Até agora, honestamente, no que diz respeito à unidade de potência, tem sido muito, muito bom. Mas, novamente, é difícil saber em que ponto estamos em comparação com todos os outros".
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