O primeiro carro de Oscar Schmidt: conheça a história da Brasília vinho
Descubra como o maior ídolo do basquete brasileiro começou sua trajetória motorizada e os sufocos que passou com seu primeiro carro
O Brasil se despede de um dos maiores ícones do esporte mundial com a morte do ex-jogador Oscar Schmidt, ocorrida nesta sexta-feira (18), em Santana de Parnaíba. Além de seu legado inigualável nas quadras, a trajetória do ídolo guarda memórias curiosas sobre o início de sua vida em São Paulo. O fato mais impactante desse período juvenil foi o presente que recebeu ao completar 18 anos: uma Volkswagen Brasília zero quilômetro. De acordo com informações da CNN, o veículo foi um prêmio pelo seu desempenho vitorioso logo no início da carreira, quando ainda morava em uma república de atletas no bairro da Pompeia e defendia o time do Palmeiras.
Em uma entrevista concedida à revista Veja São Paulo em dezembro de 2011, o Mão Santa relembrou que chegou à capital paulista em 1974 e não tinha condições financeiras para adquirir um automóvel por conta própria. "Cheguei a São Paulo em 1974, para jogar no time de basquete do Palmeiras. Na época, morava com mais oito jogadores em uma república de atletas no bairro da Pompéia. Após duas temporadas defendendo a equipe, completei 18 anos. Fui tirar a carteira de motorista, mas não tinha dinheiro para bancar um automóvel", contou o ex-atleta. A sorte mudou graças ao apoio do patrocinador do time, o doutor João Marino, e do técnico Cláudio Mortari, que o levou a uma concessionária para escolher o modelo.
Oscar escolheu uma Brasília na cor vinho e logo se tornou o centro das atenções entre os colegas de equipe, já que era o único do grupo que possuía um carro. O veículo foi cenário de muitos momentos de lazer ao lado de sua esposa, Cristina Schmidt. "Depois desse dia, virou uma festa. Eu era o único motorizado da turma. Mas quem aproveitou foi a minha mulher, Cristina. A gente namorava havia um ano e achávamos o máximo passear no veículo. Quase todo fim de semana íamos à Praça do Pôr do Sol, no Alto de Pinheiros. Quando o tempo estava bom, o destino era o Guarujá", recordou com saudosismo.
Apesar do glamour de ter um carro novo, a vida de atleta iniciante impunha restrições orçamentárias severas. Oscar lembrou que, muitas vezes, a Brasília precisava ficar parada por falta de dinheiro para o combustível. "Naquela época, ganhava pouco, só o suficiente para me manter. Apesar do sufoco, dava para investir em algum equipamento para o automóvel. Eu tinha um rádio toca-fitas comprado na Galeria Pagé, no centro de São Paulo e rodas 'gaúchas', que eram moda na época. De vez em quando, precisava deixá-la na garagem porque não dava para colocar gasolina do tanque", detalhou. A primeira Brasília acabou sendo vendida após um acidente de trânsito perto da Avenida Pompeia, sendo substituída por outra do mesmo modelo, evidenciando a paixão do ídolo pelo carro que marcou sua juventude.
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