Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

O papel do Paquistão no frágil cessar-fogo entre EUA e Irã

8 abr 2026 - 17h51
(atualizado em 9/4/2026 às 06h20)
Compartilhar

País se aproximou do governo Trump ao mesmo tempo em que manteve canais abertos com Teerã. Mas analistas ainda duvidam de que uma solução duradoura vá ser alcançada desta vez.O Paquistão está sendo elogiado por convencer Estados Unidos e Irã a interromperem a guerra e darem uma chance à mediação pelas próximas duas semanas.

Nesta terça-feira (07/04), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou sua decisão de suspender os ataques ao Irã por duas semanas após receber uma proposta de cessar-fogo de Islamabad, desde que Teerã aceite "a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA E SEGURA do Estreito de Ormuz".

O fechamento da hidrovia, por onde passam 20% do petróleo mundial, teve repercussões econômicas globais.

A postagem de Trump surgiu horas antes de um prazo que ele mesmo impôs ao Irã, sob ameaça de eliminar "uma civilização inteira" em caso de descumprimento.

"O Paquistão viabilizou o cessar-fogo ao se posicionar como um intermediário crível e confiável em um momento de escalada aguda", afirma à DW Raja Qaiser Ahmed, especialista em relações internacionais da Universidade Quaid-e-Azam, em Islamabad. "O país ativou a diplomacia de bastidores, transmitiu garantias tanto a Washington quanto a Teerã e ajudou a alinhar interesses imediatos em torno da desescalada."

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército, Asim Munir, mantêm relações cordiais com Trump desde maio passado, quando o país teve uma escalada militar breve, porém tensa, com a Índia. Posteriormente, o americano assumiu o crédito por "encerrar" a guerra.

Paquistão quer acordo permanente entre EUA e Irã

O Paquistão também mantém relações complexas, embora amistosas, com o regime iraniano. "A liderança paquistanesa utilizou canais de segurança e diplomáticos já estabelecidos com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que manteve um engajamento funcional com o Irã", explica Ahmed.

Elizabeth Threlkeld, diretora para o Sul da Ásia no Stimson Center, com sede em Washington, diz à DW que Islamabad vislumbra uma "janela de oportunidades" para garantir um acordo mais duradouro. "Chegar a um cessar-fogo já é uma conquista notável para Islamabad, e seus líderes manterão um engajamento intenso com ambos os lados e com parceiros-chave para avançar nas negociações e minimizar os riscos de ações de sabotagem", afirma.

Tarefa nada fácil

Embora não esteja claro se o cessar-fogo vai se manter, a Casa Branca já confirmou que enviará no próximo sábado (11/04) uma delegação a Islamabad liderada pelo vice-presidente JD Vance para participar das negociações.

E apesar do otimismo do primeiro-ministro paquistanês, abrir um caminho para uma solução negociada entre EUA, Israel e Irã pode ser mais fácil na teoria do que na prática. "As negociações não serão fáceis para Islamabad, mas o cessar-fogo é um primeiro passo positivo. Vamos ver por quanto tempo ele se mantém", diz o analista político Zahid Hussain à DW.

Ele diz que o compromisso de EUA e Irã com uma paz duradoura ainda é duvidoso. "Teerã desconfia de Washington, e o presidente Trump enfrenta uma pressão crescente para encerrar a guerra, em meio a críticas de que pode ter calculado mal sua estratégia. Além dos desafios internos, ele também lida com preocupações levantadas por aliados ocidentais", ressalta.

Além disso, afirma, Israel aceitou o cessar-fogo "a contragosto, enquanto mantém operações no Líbano". "Ainda não se sabe se os EUA conseguirão conter Israel e garantir que o cessar-fogo leve a uma estabilidade regional mais ampla", frisa.

O que pode sabotar o cessar-fogo?

Trump afirma que o Irã apresentou uma proposta de dez pontos que ele considerou "uma base viável para negociação". O líder dos EUA também declarou que já há acordo sobre "quase todos os diversos pontos de divergência do passado", mas não entrou em detalhes.

O sucesso do cessar-fogo — no curto e no longo prazo — depende principalmente da abertura do Estreito de Ormuz, que o regime iraniano fechou após os primeiros bombardeios de EUA e Israel matarem o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, diz que a passagem pelo estreito será permitida sob supervisão do Exército iraniano, enquanto Trump afirma que os EUA vão ajudar a ampliar o fluxo de navios na região.

Há ainda vários outros pontos sensíveis. Um deles é o programa nuclear iraniano e seu estoque de urânio enriquecido, que Trump diz que precisa ser eliminado.

"Seriam negociações muito difíceis", diz Ali K. Chishti, analista de segurança baseada em Riad. "As conversas também levariam em conta os problemas econômicos do Irã e [a promessa de] algum tipo de flexibilização de sanções para Teerã em troca de uma segurança conjunta do Estreito de Ormuz."

Sem mediadores no Golfo

Chishti afirma que Islamabad também trabalha em um "plano separado para um acordo entre Irã e Estados do Golfo" para garantir que Teerã não ataque seus vizinhos no futuro.

Ele, no entanto, não vê a Arábia Saudita e os países do Golfo se envolvendo diretamente no conflito caso o Irã recue do acordo de cessar-fogo. "Há um entendimento em Riad sobre o cenário de custo-benefício. Entrar na campanha contra o Irã seria mais destrutivo para os sauditas", observa.

Ahmed avalia que, mesmo que o Irã não cumpra plenamente seus compromissos, o Paquistão provavelmente ainda mantém espaço para incentivar a contenção e facilitar a retomada do diálogo.

"Dito isso, a eficácia depende da disposição de ambos os lados em negociar de boa-fé. Se as violações se tornarem constantes, a influência do Paquistão naturalmente diminui, mas o país ainda pode atuar como um dos poucos atores críveis capazes de reabrir canais de comunicação e evitar uma escalada para um conflito mais amplo."

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra