O julgamento que pode esclarecer mistério da morte de Tupac Shakur após 30 anos
Com início do julgamento da única pessoa acusada até hoje de envolvimento na morte do rapper, o caso volta ao centro das atenções quase 30 anos depois.
Quase 30 anos depois, o mistério em torno do assassinato do lendário rapper Tupac Shakur, baleado em um ataque feito de dentro de um carro, ainda desperta enorme interesse do público.
A morte dele voltou às manchetes às vésperas do julgamento da única pessoa até hoje acusada de envolvimento no crime. O julgamento teve início na segunda-feira (10/8) em Las Vegas, nos Estados Unidos.
O acusado, o ex-líder de gangue Duane "Keffe D" Davis, hoje com 63 anos, responde a uma acusação de homicídio com uso de arma letal. Ele se declarou inocente.
Ele não é acusado de ter matado Tupac em 1996, mas de ter fornecido a arma usada no assassinato.
Quem foi Tupac Shakur?
Tupac foi, e possivelmente ainda é, uma das figuras mais influentes do hip-hop.
Nascido em Nova York, nos EUA, em 1971 e batizado em homenagem ao líder guerrilheiro sul-americano Túpac Amaru 2º, ele lançou seu primeiro álbum em 1991.
Tupac continua entre os artistas que mais venderam discos na história, com mais de 75 milhões de cópias em todo o mundo (que o colocam na faixa de bandas como Nirvana e Oasis). Entre seus lançamentos póstumos está o single Ghetto Gospel, de 2004.
Em 2017, Tupac foi incluído no Rock & Roll Hall of Fame (instituição americana que homenageia artistas, bandas e outras figuras que tiveram impacto significativo na história).
Também teve sucesso como ator em filmes como Uma Questão de Respeito, de 1992, Sem Medo no Coração, de 1993, O Lance do Crime, de 1994, Gridlock'd - Na Contra-Mão, de 1997 e As Duas Faces da Lei, também de 1997.
Tupac foi criado pela mãe, Afeni Shakur, uma ativista do grupo radical de direitos civis Panteras Negras.
O próprio rapper falava e cantava abertamente sobre injustiças sociais, como racismo institucional, pobreza e violência policial.
A influência de Tupac no hip-hop foi amplamente reconhecida por outros artistas, entre eles Kendrick Lamar, um dos principais nomes atuais do gênero, que já o citou várias vezes como inspiração.
O rapper 50 Cent disse certa vez que "todo rapper que cresceu nos anos 1990 deve alguma coisa a Tupac".
No Brasil, Mano Brown e Djonga estão os vários rappers que admiravam o americano e se disseram influenciados por ele.
Como ele foi morto?
Tupac tinha apenas 25 anos quando foi atingido por quatro tiros em uma rua de Las Vegas em 7 de setembro de 1996.
Segundo a polícia, ele havia se envolvido em uma briga em um cassino pouco antes do ataque.
Quando os tiros foram disparados, Tupac estava em uma BMW parada em um sinal vermelho, de acordo com os registros policiais.
Um Cadillac branco parou ao lado do carro, e alguém que estava dentro dele abriu fogo.
Tupac foi levado ao hospital e mantido por aparelhos, mas morreu seis dias depois.
Será revelado quem matou Tupac?
A investigação sobre o assassinato de Tupac já dura décadas.
Talvez a testemunha sobrevivente mais importante seja Marion "Suge" Knight, executivo de uma gravadora que estava no carro com Tupac quando os tiros foram disparados.
Knight, que cumpre pena de 28 anos por homicídio culposo ligado a um outro incidente, nunca quis colaborar plenamente com as investigações.
Em setembro de 2023, a polícia de Las Vegas indiciou Duane "Keffe D" Davis pelo assassinato do rapper.
A polícia descreveu Davis como "líder e responsável pelas decisões" da gangue de rua South Side Compton Crips.
Davis afirmou em diversas ocasiões, inclusive em um livro de memórias, que estava no carro de onde partiram os tiros.
Segundo a Promotoria, Orlando Anderson, sobrinho já falecido de Davis, havia se envolvido em uma briga com Tupac em um cassino antes do ataque e também estava no Cadillac com Davis.
Anderson e os outros ocupantes do Cadillac, Terrence Brown e Deandrae Smith, morreram desde então.
Durante o julgamento, que deve durar semanas, os promotores devem argumentar que Davis ordenou o assassinato.
Se for condenado, o homem de 63 anos pode receber pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Desde que foi preso em 2023, Davis recuou de declarações anteriores e passou a negar qualquer envolvimento na morte de Tupac.
"Sou inocente. Não matei ninguém. Nunca matei ninguém", disse Davis em março de 2025, em uma entrevista concedida da prisão à emissora americana ABC News. "Eles não têm nenhuma prova contra mim."
Por isso, é pouco provável que o julgamento em Las Vegas esclareça quem realmente disparou a arma.
Mas Shaun Kent, especialista em direito, disse ao podcast da BBC Fame Under Fire: The Tupac Murder Trial (Fama sob Fogo: o Julgamento pelo Assassinato de Tupac, em tradução livre) que a promotoria deve tentar apresentar o ex-líder de gangue como o mentor do assassinato.
"Eles vão adotar a teoria de que a responsabilidade de um é a responsabilidade de todos: Davis pode não ter disparado, mas o tiro não teria sido dado se ele não estivesse lá", explicou Kent.
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