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Calor extremo está se tornando mais frequente e intenso, afirma agência da ONU

11 ago 2026 - 10h53
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Os períodos de ‌calor extremo estão se tornando mais frequentes, intensos e duradouros à medida que as mudanças climáticas aquecem o planeta, afirmou na terça-feira a agência meteorológica da ONU, destacando as mudanças ocorridas desde o famoso verão europeu de 1976, marcado pelo calor.

Algumas regiões da Europa estão ⁠enfrentando sua quinta onda de calor em um verão marcado por ‌secas, incêndios florestais e temperaturas recordes.

"O calor extremo está se tornando mais frequente, mais intenso, está durando mais tempo e abrangendo ‌áreas muito mais amplas do que nos ‌climas mais frios do passado", afirmou John Kennedy, chefe de ⁠informações climáticas da Organização Meteorológica Mundial, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

Kennedy disse que o atual padrão de calor em toda a Europa, o continente que mais rapidamente se aquece no mundo, reflete a interação entre um padrão persistente de sistemas de alta pressão ‌no Hemisfério Norte e um clima mais quente.

Os sistemas de alta pressão ‌retêm o ar quente, ⁠reduzem a ⁠cobertura de nuvens e impedem a entrada de ar mais frio, permitindo que o ⁠calor se acumule em grandes ‌regiões por dias ou ‌semanas.

O El Niño, fenômeno climático natural que normalmente eleva as temperaturas globais, não está contribuindo para o calor na Europa este ano, pois as condições no Pacífico tropical estão atualmente neutras, ⁠acrescentou ele.

MUDANÇAS NAS ÚLTIMAS CINCO DÉCADAS

Kennedy observou que junho de 1976 apresentou um padrão amplamente semelhante de sistemas de alta e baixa pressão aos observados neste ano, mas afirmou que os resultados foram muito diferentes devido a décadas de ‌aquecimento global.

"O quadro de 1976 mostra algumas áreas isoladas com temperaturas acima da média em um mundo muito mais frio", disse ele, ⁠enquanto hoje "o quadro está invertido", com grande parte do globo apresentando temperaturas acima da média e apenas algumas regiões isoladas mais frias.

Mares excepcionalmente quentes e solos ressecados estavam amplificando as temperaturas em toda a Europa, segundo Kennedy.

Ondas de calor marítimas no Mar Mediterrâneo e nas águas a oeste da Europa estão contribuindo para condições mais quentes em terra, fornecendo calor adicional para sistemas de alta pressão persistentes, acrescentou ele.

O solo seco também estava intensificando o calor, pois os solos se aquecem mais rapidamente quando a umidade se esgota.

"Muitos desses fatores estão se combinando para nos trazer o calor recorde que estamos vendo este ano", afirmou Kennedy.

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