Zelensky afirma que eleições durante guerra seriam um 'tsunami' para Ucrânia
Presidente defendeu que Rússia convocará 300 mil novos soldados após pleito parlamentar
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que realizar eleições durante a guerra causaria um "tsunami" e dividiria o país. Embora aberto a negociar o fim de ataques a infraestruturas, ele acusou Vladimir Putin de escalar o conflito por razões políticas e rejeitar a paz. Por sua vez, Putin reiterou que a operação militar russa é necessária para combater o suposto avanço do neonazismo e da russofobia na Ucrânia.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, manifestou-se contra a realização de eleições durante a guerra, afirmando que um pleito neste momento "destruiria" o país e seria um "tsunami".
"Acredito que, em uma guerra como esta, eleições propriamente ditas representam um risco enorme. Um pleito neste momento seria um tsunami e dividiria a Ucrânia", disse o mandatário em resposta a um apelo do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov.
Zelensky garantiu que Kiev está pronta para negociar com a Rússia a interrupção dos ataques contra infraestruturas energéticas e agrícolas, mas afirmou que Moscou parece não estar disposta a firmar tais acordos.
O chefe de Estado acrescentou que seu homólogo russo, Vladimir Putin, decidiu escalar o conflito porque precisava contar com o apoio do segmento mais radical do eleitorado russo após uma queda significativa em seus índices de aprovação. Além disso, não descartou a hipótese de Moscou mobilizar 300 mil soldados após as eleições parlamentares de setembro.
"Putin não quer acabar com a guerra e está ampliando o escopo dos ataques. Eles iniciaram a escalada porque realmente queriam paralisar nossa capacidade de defesa, mas estamos reagindo, especificamente atacando sua frota fantasma e instalações petrolíferas. Eles não conseguiram encontrar uma maneira de nos deter", disse Zelensky, acrescentando que Kiev está pronta para discutir acordos separados sobre a interrupção dos ataques.
Ainda segundo o mandatário, o custo do conflito chega a cerca de US$ 12,5 bilhões "apenas em perdas diretas dentro da Rússia", mas o valor pode subir "se considerarmos as dívidas da empresa, as perdas associadas para outras empresas e indivíduos, e a necessidade de reestruturar as operações e reconstruir a Wildberries".
Em entrevista ao jornalista russo Pavel Zarubin, no programa "Vesti", Putin afirmou que o país não tolerará o fato de as autoridades ucranianas terem feito do neonazismo a base de sua ideologia estatal.
"O atual governo ucraniano construiu o Estado sobre a ideologia neonazista. É algo terrível. Não podemos tolerar isso, e não toleraremos. É uma das razões para a operação militar especial. É uma luta contra o neonazismo", comentou.
O chefe do Kremlin acrescentou que, para Moscou, o conflito também envolve o combate à russofobia e às tentativas de erradicar tudo o que é russo, incluindo a cultura e a história da nação. .
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