União Europeia suspende retaliações comerciais contra EUA na esperança de renegociar taxas com Trump
Bruxelas anunciou nesta terça-feira (5) a suspensão de suas medidas de retaliação contra as tarifas de Donald Trump, devido ao acordo comercial firmado entre os Estados Unidos e a União Europeia. Outros países como Suíça e Índia seguem em negociações para tentar evitar taxas elevadas, enquanto o Brasil deve começar a sentir os efeitos do "tarifaço" do governo americano a partir de quarta-feira (6).
Bruxelas anunciou nesta terça-feira (5) a suspensão de suas medidas de retaliação contra as tarifas de Donald Trump, devido ao acordo comercial firmado entre os Estados Unidos e a União Europeia. Outros países como Suíça e Índia seguem em negociações para tentar evitar taxas elevadas, enquanto o Brasil deve começar a sentir os efeitos do "tarifaço" do governo americano a partir de quarta-feira (6).
Nos últimos meses, a Comissão Europeia havia preparado uma lista de produtos americanos que seriam taxados caso os EUA e a UE não chegassem a um acordo. Essa lista incluía € 93 bilhões em mercadorias: soja, aviões, carros, entre outros. Após meses de negociações intensas, Bruxelas e Washington selaram, no final de julho, um acordo comercial baseado em tarifas de 15% sobre os produtos europeus que chegam aos Estados Unidos.
"A Comissão adotou hoje o procedimento jurídico necessário para suspender a implementação de nossas contramedidas europeias", declarou nesta terça-feira o porta-voz do executivo europeu, Olof Gill.
A União Europeia, no entanto, não descartou reativar essas medidas de retaliação caso o confronto comercial com a administração Trump volte a se intensificar. "Estamos colocando (essas medidas) no congelador, mas podemos sempre tirá-las de lá", explicou um responsável europeu sob condição de anonimato.
O objetivo dos europeus é deixar o canal de negociações aberto com a Casa Branca, para atenuar as consequências do encarecimento das exportações para o mercado americano.
Tarifas que visam o Brasil seguem a 50%
Entre os aumentos de tarifas previstos, o que afeta os produtos brasileiros será o primeiro, a partir das 00h01 de quarta-feira (04h01 GMT), com tarifas que agora chegarão a 50%. No entanto, muitos setores, como aviação, energia e sucos de laranja, estão isentos.
No total, segundo Brasília, 36% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas por essas tarifas.
Trump concentra atenção na Índia
Donald Trump pressiona a Índia e o setor farmacêutico, enquanto negocia com a Suíça em busca de um acordo de última hora. As tarifas adicionais que ele deseja impor, previstas para quinta-feira (7), ainda podem mudar, já que o presidente americano alterna entre ameaças e tentativas de conciliação com seus parceiros comerciais.
Em entrevista ao canal CNBC, Trump concentrou sua atenção na Índia e depois na indústria farmacêutica — um setor já sob pressão, pois o presidente deseja reduzir o preço dos medicamentos nos Estados Unidos.
Trump já havia expressado sua insatisfação com Nova Délhi, acusando o país de comprar petróleo russo e de não fazer o necessário para abrir sua economia aos produtos americanos. Essas acusações foram reiteradas na terça-feira e podem aumentar além da sobretaxa de 25% já anunciada.
"Acho que vou aumentar esse número significativamente nas próximas 24 horas, porque eles compram petróleo russo", insistiu Trump. Nas últimas semanas, o chefe da Casa Branca mencionou várias vezes uma "penalidade" contra a Índia por causa do petróleo russo, gerando preocupações entre os industriais indianos.
Suíça ainda negocia
As tarifas sobre a indústria farmacêutica devem estar na pauta das discussões entre a Suíça e os Estados Unidos. A presidente da Confederação, Karin Keller-Sutter, e seu ministro da Economia, Guy Parmelin, esperam conseguir reduzir a sobretaxa de 39% sobre os produtos suíços prevista para 7 de agosto — um nível bem superior ao aplicado aos produtos da União Europeia (15%).
O presidente americano também quer reduzir os preços dos medicamentos, que são mais caros nos EUA do que na maioria dos países industrializados. Em cartas enviadas na semana passada a 17 empresas do setor, ele exigiu a redução dos preços de seus produtos sob pena de retaliações.
(Com AFP)