União Europeia considera 'muito preocupante' a suspensão das sanções dos EUA ao petróleo russo
A União Europeia (UE) considerou nesta sexta-feira (13) como "muito preocupante" a decisão "unilateral" dos Estados Unidos de suspender por 30 dias as sanções ao petróleo russo, devido à alta dos preços da commodity bruta ligada à guerra no Oriente Médio. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a decisão fortalece Moscou em meio ao conflito entre os dois países.
António Costa, presidente do Conselho Europeu, órgão que representa os 27 Estados-membros da UE, avalia que essa decisão "tem repercussões para a segurança europeia. A crescente pressão econômica sobre a Rússia é crucial para que ela aceite negociações sérias" com a Ucrânia.
"O afrouxamento das sanções aumenta os recursos da Rússia para travar uma guerra de agressão contra a Ucrânia", lamentou Costa na rede social X.
Anunciada na quinta-feira (12) pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a decisão autoriza a venda de petróleo russo embarcado antes de 12 de março até 11 de abril. Descrita como uma "medida de curto prazo", essa ação é uma resposta à alta dos preços da commodity desde o início da guerra no Oriente Médio.
As the war in Iran takes center stage, there is only one winner: Russia.
Profiting from rising energy prices and the diversion of military capabilities and benefiting from the reduced attention to the Ukrainian front. pic.twitter.com/ICizy0j0H9
— António Costa (@eucopresident) March 10, 2026
Esta também é a segunda flexibilização significativa das sanções dos Estados Unidos relacionadas à guerra na Ucrânia em pouco mais de uma semana. Na semana passada, o governo dos EUA já havia autorizado, por um mês, a entrega de petróleo russo retido no mar à Índia. Nesta sexta, Moscou pediu a Washington um levantamento mais amplo desses bloqueios.
"Este não é o momento para aliviar as sanções contra a Rússia", insistiu a Comissão Europeia.
"Principal beneficiária"
Segundo estimativas de Bruxelas, a Rússia "arrecadou US$ 150 milhões adicionais por dia em receitas com a venda de petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio, tornando-se provavelmente a principal beneficiária deste conflito", afirmou Paula Pinho, porta-voz da Comissão.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, também lamentou a flexibilização, a qual classificou como uma decisão "ruim".
"Há atualmente um problema com os preços, mas não com a oferta. A esse respeito, gostaria de saber quais outros fatores levaram o governo dos EUA a tomar essa decisão", disse ele durante uma viagem à Noruega.
"Seis membros do G7 expressaram uma opinião muito clara de que esse não era o sinal correto. Então, soubemos esta manhã que o governo dos EUA aparentemente decidiu o contrário", acrescentou.
Zelensky e Macron divergem
Durante um encontro com o presidente da França, Emmanuel Macron, em Paris nesta sexta-feira, o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a decisão dos EUA de aliviar os bloqueios ao petróleo russo fortalece Moscou e "não contribui para a paz" na Ucrânia.
"A suspensão das sanções, em todo caso, fortalecerá a posição da Rússia", que invade a Ucrânia há quatro anos, disse Zelensky em uma coletiva.
"Este único alívio por parte dos Estados Unidos pode render a Moscou cerca de US$ 10 bilhões para a guerra. Isso certamente não contribui para a paz", acrescentou o presidente ucraniano.
Macron, por sua vez, acredita que a suspensão das sanções norte-americanas é "limitada" e "não representa um retrocesso" nos compromissos do G7.
RFI com agências