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Governo dos EUA inclui Brasil em investigação sobre trabalho forçado

Medida pode levar à imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros

13 mar 2026 - 12h26
(atualizado às 13h08)
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O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma investigação comercial sobre possíveis práticas relacionadas ao uso de trabalho forçado na produção de bens exportados ou importados, medida que pode resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros, especialmente os do setor agrícola.

A iniciativa foi anunciada na noite da última quinta-feira (12) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos e faz parte de um inquérito mais amplo que envolve cerca de 60 economias.

Segundo o governo de Donald Trump, o objetivo é verificar se países estão falhando em impedir a circulação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, o que, segundo Washington, poderia gerar concorrência desleal para produtos norte-americanos.

"Por muito tempo, trabalhadores e empresas americanas foram forçados a competir com produtores estrangeiros que podem ter uma vantagem de custo obtida por meio do flagelo do trabalho forçado", diz o comunicado.

O escritório argumenta que o governo brasileiro e os dos outros países da lista "deixaram de impor medidas" contra a venda de mercadorias fabricadas com mão de obra submetida a condições de trabalho irregulares.

Caso os Estados Unidos concluam que o Brasil não cumpre adequadamente normas para impedir esse tipo de prática, o país poderá sofrer aumento nas tarifas aplicadas às exportações destinadas ao mercado norte-americano.

A investigação ocorre em meio a tensões comerciais entre os dois países. Em julho de 2025, Trump aumentou para 50% as tarifas sobre determinados produtos brasileiros. Parte dessas medidas foi suspensa em setembro, após o início de negociações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o governo dos EUA, o processo foi aberto com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo país para investigar práticas comerciais consideradas injustas ou discriminatórias que possam prejudicar empresas americanas.

Além do Brasil, a investigação inclui economias como União Europeia, China, Japão, Coreia do Sul, Canadá, México, Índia, Taiwan e Reino Unido, além da Rússia.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o objetivo é determinar "se os atos, políticas e práticas de cada uma dessas economias - relacionados à falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado - são irracionais ou discriminatórios e se oneram ou restringem o comércio" do país.

Para Greer, apesar do consenso internacional contra o trabalho forçado, "os governos não conseguiram impor e aplicar efetivamente medidas que proíbam a entrada de bens produzidos com trabalho forçado em seus mercados".

O Escritório do Representante Comercial dos EUA informou ainda que deve realizar uma audiência pública sobre o tema em 28 de abril de 2026, em Washington. Governos, empresas e outras partes interessadas poderão enviar comentários e solicitar participação até 15 de abril.

O processo, que provavelmente levará a uma nova rodada de tarifas, preocupa, entre outros, a UE, o México e a China, consideradas "economias com excesso estrutural de capacidade e produção em vários setores industriais, por exemplo, através de excedentes comerciais persistentes ou capacidade subutilizada ou ociosa", acrescenta.

Enquanto isso, o governo brasileiro negocia uma possível visita de Lula aos Estados Unidos entre março e abril, agenda que ainda está sendo discutida pelos ministérios das Relações Exteriores dos dois países.  

Ansa - Brasil
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