Pentágono diz que novo líder iraniano está ferido; ausência pública aumenta especulações
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta sexta-feira (13) que o novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, estava "ferido" e provavelmente "desfigurado". A declaração ocorre no mesmo dia em que vários altos funcionários iranianos saíram às ruas de Teerã, ao lado de manifestantes, em um ato de desafio contra os Estados Unidos e Israel.
Fortes explosões sacudiram Teerã mais uma vez nesta sexta-feira. Apesar da ofensiva israelense, imagens da televisão estatal mostraram o chefe de segurança Ali Larijani e o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, no meio da multidão. Ambos vêm mantendo um perfil discreto desde o início da guerra. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, também esteve presente. Já o novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, ainda não apareceu em público.
"Sabemos que o novo — o chamado não tão supremo líder — está ferido e provavelmente desfigurado", afirmou o chefe do Pentágono em uma coletiva de imprensa, observando que o líder iraniano não apareceu pessoalmente na quinta-feira (12) em sua primeira declaração pública desde sua nomeação, no domingo (8).
Neste 14º dia de guerra, iranianos pró-governo se reuniram para uma marcha anual em apoio aos palestinos, apesar dos bombardeios que começaram no início da manhã. Explosões foram ouvidas no centro da capital, a curta distância do local da manifestação. Uma mulher foi morta no ataque, segundo a agência de notícias iraniana IRNA.
"Nação corajosa"
Durante a marcha em Teerã, manifestantes foram vistos pela AFP agitando bandeiras iranianas, exibindo retratos de Mojtaba Khamenei e cartazes prometendo o inferno para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
"O problema de Trump é que ele não entende que o povo iraniano é uma nação corajosa, uma nação forte, uma nação determinada", declarou Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, na televisão estatal. "Quanto mais pressão, mais forte se tornará a determinação da nação", acrescentou.
O conflito já causou um deslocamento significativo dentro do país: mais de três milhões de pessoas foram afetadas, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
"Quase todas as famílias aqui estão hospedando pelo menos uma família de Teerã", disse à AFP uma mulher de 30 anos que mora em Kermanshah (leste). Lá, a população está "extremamente tensa e irritada", afirmou ela, principalmente por causa do racionamento de pão e de fita adesiva, usada para proteger janelas de explosões.
Pete Hegseth confirmou ainda que os Estados Unidos e Israel atingiram mais de 15 mil alvos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
A reação do Irã inclui ataques no Golfo Pérsico, região que abriga bases e interesses dos EUA. Jornalistas da AFP ouviram explosões em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, cujo centro estava envolto em uma nuvem de fumaça esta manhã. Em Omã, duas pessoas foram mortas por um drone no norte do país, segundo a mídia estatal. E a Arábia Saudita anunciou ter abatido um "drone hostil" que se dirigia ao bairro diplomático de sua capital, Riade.
Com AFP