UE e Canadá firmam 'Aliança para o Futuro' e ampliam cooperação estratégica
Declaração conjunta assinada em Montreal prevê aproximação política e econômica
A União Europeia e o Canadá firmaram a declaração "Aliança para o Futuro" para aprofundar a cooperação política, econômica e estratégica bilateral. Embora a proposta de conceder o status de "membro associado" a Ottawa tenha sido descartada por falta de consenso no bloco, os parceiros planejam estruturar uma associação mais estreita até 2027. O acordo também prevê maior integração em instâncias conjuntas e a adesão canadense ao empréstimo de 90 bilhões de euros da UE em apoio à defesa da Ucrânia.
A União Europeia (UE) e o Canadá assinaram nesta sexta-feira (30) uma declaração conjunta para estabelecer uma "Aliança para o Futuro", com o objetivo de aprofundar a cooperação política, econômica e estratégica entre os dois parceiros.
O documento foi firmado em Montreal pela presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, e pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney, durante uma cúpula bilateral.
A declaração destaca os laços históricos e econômicos entre as partes e reafirma o compromisso com valores compartilhados.
"A parceria robusta entre a UE e o Canadá está profundamente enraizada na confiança, moldada por uma história compartilhada e fortes laços econômicos, e fundamentada nos valores centrais que temos em comum. Somos parceiros estrategicamente importantes, amigos próximos e vizinhos", afirma o texto.
Durante coletiva de imprensa após a reunião, Carney classificou o encontro como um momento histórico e defendeu a manutenção da união entre Canadá e Europa diante de um cenário internacional cada vez mais dividido.
"Este é um dia histórico", declarou o primeiro-ministro. Segundo ele, a convergência de valores e objetivos entre os parceiros representa uma fonte de segurança, prosperidade e bem-estar para suas populações.
Carney também alertou para os desafios enfrentados pelas sociedades, citando as transformações provocadas pelas mudanças climáticas, a erosão das normas democráticas e o uso do comércio como instrumento de pressão internacional.
"A tecnologia está transformando a natureza dos conflitos, a estrutura das economias e a capacidade de governança dos Estados", afirmou. O premiê acrescentou que, em tempos de instabilidade, Canadá e União Europeia devem permanecer unidos.
Apesar do aprofundamento das relações, a declaração final não inclui a expressão "membro associado", que havia sido discutida nos últimos dias como uma possível referência ao novo formato de aproximação entre o Canadá e a União Europeia.
A proposta não obteve consenso entre os 27 Estados-membros do bloco, diante de preocupações jurídicas e políticas manifestadas por alguns governos, entre eles o da Alemanha.
Em seu lugar, o documento prevê que as partes trabalhem até a próxima cúpula bilateral, prevista para 2027, na definição do conceito de uma "associação cada vez mais estreita", sem que isso represente uma adesão plena do Canadá à UE.
O plano prevê ainda a realização de cúpulas periódicas, comitês conjuntos ministeriais e maior participação de representantes canadenses em reuniões relevantes do Conselho Europeu e de outras instâncias de cooperação.
A iniciativa pretende aprofundar a colaboração em áreas como prosperidade, segurança econômica e autonomia estratégica.
Outro ponto importante da declaração é a intenção do Canadá de participar do Empréstimo de Apoio à Ucrânia (Ukraine Support Loan), mecanismo financeiro da União Europeia que prevê um total de 90 bilhões de euros para apoiar a defesa ucraniana durante 2026 e 2027.
"Saudamos a intenção do Canadá de aderir ao empréstimo em apoio à Ucrânia", afirma o comunicado conjunto divulgado após a cúpula.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.