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Trump pede à Suprema Corte que autorize uso de banco de dados bloqueado para verificar eleitores

8 set 2026 - 15h30
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Resumo
O governo Donald Trump pediu à Suprema Corte dos EUA a liberação de um banco de dados de imigração reformulado para checar a cidadania em listas eleitorais antes das eleições de novembro. A ferramenta fora bloqueada pela Justiça após contestações de entidades civis, que alegam imprecisão nos dados e risco de cancelamento indevido do título de eleitores legítimos. Enquanto o governo defende a integridade da votação, críticos apontam manobra política republicana para restringir o eleitorado.

O governo do presidente Donald Trump solicitou nesta ‌terça-feira à Suprema Corte dos Estados Unidos que autorize o uso de um banco de dados de imigração reformulado para verificar a precisão dos cadernos eleitorais estaduais, uma das diversas medidas que aumentariam o envolvimento federal no processo eleitoral antes das eleições de meio de mandato, em novembro.

Advogados do Departamento de Justiça solicitaram ao tribunal que suspenda a decisão proferida em junho por um juiz ⁠federal de Washington, D.C., que bloqueou o sistema de verificação em massa de eleitores -- instrumento que, segundo ‌o juiz, havia sido montado de forma aleatória e continha dados de cidadania não confiáveis.

No recurso à Suprema Corte, os advogados do Departamento de Justiça referem-se à ordem do juiz como "indefensável", argumentando ‌que ela "ameaça a integridade das próximas eleições ao anular a ‌autoridade do governo federal de usar internamente dados da Previdência Social ao cumprir seu ⁠dever de atender aos pedidos dos Estados para verificar a cidadania de indivíduos para fins eleitorais e outros".

 Os republicanos, correligionários de Trump, estão envolvidos em uma batalha acirrada para manter o controle de ambas as Casas do Congresso nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro.

No ano passado, o Departamento de Segurança Interna reformulou um banco de dados federal conhecido como Verificação Sistemática de ‌Estrangeiros para Benefícios (Save, na sigla em inglês), usado para verificar a cidadania e o status de imigração ‌de uma pessoa. A reformulação permitiu ⁠a pesquisa de vários ⁠registros de uma só vez, permitindo o acesso aos números de Seguro Social dos indivíduos.

Desde então, Estados liderados ⁠por republicanos compararam suas listas eleitorais com o banco ‌de dados e cancelaram os registros ‌de eleitores identificados como não cidadãos.

Críticos afirmam que tais ações relacionadas às eleições por parte dos republicanos são motivadas menos por preocupações com a segurança eleitoral do que por uma tentativa de obter vantagem política ao restringir o eleitorado, correndo o risco de privar do direito ⁠de voto eleitores qualificados, muitas vezes com tendência democrata.

Grupos de defesa que entraram com ação judicial para bloquear o sistema Save revisado afirmam que a nova abordagem resultou na exclusão das listas eleitorais de pessoas erroneamente identificadas como não cidadãs. Eles argumentaram que o Save pode estar desatualizado, deixando eventualmente de fora imigrantes naturalizados e, portanto, com ‌direito ao voto.

"Tribunal após tribunal rejeitou a tentativa do governo Trump-Vance de reviver um sistema ilegal que coloca em risco a privacidade dos norte-americanos e a liberdade fundamental de votar", disse ⁠Skye Perryman, presidente e presidente-executivo da Democracy Forward, um dos grupos que entraram com a ação judicial.

"Agora, após não ter conseguido o que queria nos tribunais de primeira instância, o governo está pedindo que a Suprema Corte dos EUA intervenha, apesar de a lei deixar claro que as ações (do Departamento de Segurança Interna) não podem continuar", disse Perryman em comunicado nesta terça-feira.

Em junho, a juíza federal Sparkle Sooknanan, em Washington, D.C., deu razão aos defensores do direito ao voto e à privacidade, argumentando que a reformulação do sistema o tornou menos preciso e pode privar eleitores qualificados do direito de voto.

O Tribunal de Apelações dos EUA para o Circuito do Distrito de Columbia, em uma decisão de 2 a 1 em 4 de setembro, recusou-se a suspender a decisão de Sooknanan, o que levou o governo a solicitar a intervenção da Suprema Corte.

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