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Reino Unido proíbe comércio com colônias israelenses na Cisjordânia ocupada

Outros 11 países também anunciaram sanções contra assentamentos

8 set 2026 - 15h05
(atualizado às 15h14)
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Resumo
O Reino Unido proibiu o comércio com assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, acusando Israel de permitir uma limpeza étnica e minar a solução de dois Estados. Apoiada por outros 11 países, a medida gerou forte reação de Israel, que fechou o consulado britânico em Jerusalém Oriental e expulsou diplomatas. Enquanto a Autoridade Palestina celebrou a decisão, os Estados Unidos descartaram sanções semelhantes, e a União Europeia segue sem consenso sobre adotar restrições em bloco.

O Reino Unido formalizou nesta terça-feira (8) a proibição de comércio com os assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados, em uma guinada da política externa britânica sob o novo primeiro-ministro trabalhista Andy Burnham.

Vista de colônia israelense na Cisjordânia ocupada
Vista de colônia israelense na Cisjordânia ocupada
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A decisão foi anunciada pelo secretário de Relações Exteriores, Ed Miliband, na Câmara dos Comuns e acompanhada por uma declaração conjunta de outros 11 países, entre eles França e Canadá, na esteira dos recorrentes ataques de colonos judaicos contra palestinos.

"Israel está fechando os olhos para uma limpeza étnica em curso na Cisjordânia", disse Miliband, que nasceu no Reino Unido em uma família judaica de origem polonesa, fugida do nazismo.

O secretário condenou os atentados do Hamas de 7 de outubro de 2023 e reafirmou o direito de Israel a se defender, mas afirmou que o apoio à solução de dois Estados exige medidas concretas contra a expansão das colônias.

O comunicado conjunto, assinado por Reino Unido, França, Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal e Suécia, afirma que "as ações do governo de Israel estão minando toda a possibilidade de uma solução de dois Estados" e denuncia "níveis sem precedentes de violência por parte dos colonos e de expansão dos assentamentos".

"Confirmamos a intenção de introduzir restrições nacionais ou apoiar as europeias contra o comércio de produtos dos assentamentos, que são ilegais sob o direito internacional", diz o texto, assinado por países que se uniram em 2025 para reconhecer o Estado da Palestina na ONU ? Espanha e Irlanda já haviam imposto sanções comerciais contra colônias israelenses na Cisjordânia ocupada.

"O governo de Benjamin Netanyahu deve colocar fim imediato a esse processo, assegurando que os colonos respondam por seus crimes e que as acusações ao exército israelense sejam investigadas", acrescenta a declaração conjunta.

A resposta israelense foi imediata: o ministro das Relações Exteriores Gideon Sa'ar anunciou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental e a expulsão de representantes do Reino Unido que atuam no centro de coordenação do Conselho de Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e em uma missão de treinamento a forças da Autoridade Nacional Palestina (ANP) em Ramallah, bem como proibição de entrada de 12 funcionários de Londres "ativos no boicote e na deslegitimação contra Israel".

A ANP, por sua vez, saudou as sanções como "um passo importante" e pediu que sejam convertidas "rapidamente em medidas vinculantes" para que o governo israelense "responda pelas suas violações".

EUA

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, admitiu que existem "tensões" na Cisjordânia ocupada, porém descartou sanções contra os colonos.

"Obviamente, não faremos o que o Reino Unido fez", disse o chefe da diplomacia dos EUA antes de embarcar para uma viagem à América Latina. "Não queremos ver nada que desestabilize a situação na Cisjordânia neste momento, tendo em vista o que está acontecendo na região", acrescentou.

Na União Europeia, a questão segue travada. Em julho, o poder Executivo do bloco apresentou a possibilidade de proibir o comércio com os assentamentos ilegais nos territórios palestinos ocupados, mas a medida não obteve quórum entre os 27 Estados-membros.

Em Buenos Aires, onde participa de missão econômica, o ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, defendeu que a Europa decida sobre a questão em bloco. "Sempre sou a favor de decisões tomadas no âmbito da União Europeia, inclusive em matéria comercial. Caso contrário, corre-se o risco de distorcer o mercado interno. Os ingleses não fazem parte da União Europeia", afirmou. .

Ansa - Brasil
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