Surge esperança de avanços após as primeiras negociações entre EUA e Irã em meses
EUA e Irã retomaram negociações indiretas via Catar durante a Assembleia Geral da ONU, gerando expectativas para o fim do conflito que já dura quase sete meses no Oriente Médio. Donald Trump classificou os contatos como produtivos, enquanto Teerã exigiu o fim da guerra e das agressões norte-americanas para um acordo. O avanço diplomático ajudou a conter os preços globais do petróleo, mantendo o barril de Brent abaixo de US$ 100, apesar da ausência de mudanças explícitas nas posições de ambos.
As primeiras negociações indiretas entre os Estados Unidos e o Irã em meses suscitaram esperanças, nesta quarta-feira, de que os adversários possam avançar no sentido de pôr fim à guerra no Oriente Médio, embora nenhum dos lados tenha explicitado qualquer mudança em suas posições.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, se comunicaram por meio de mediadores à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York — o primeiro contato desse tipo desde que um acordo provisório de cessar-fogo fracassou em julho.
"Steve e Jared tiveram hoje uma reunião muito produtiva com mediadores do Irã, apenas mediadores. Vamos ver o que acontece com isso", disse o presidente dos EUA, Donald Trump. "Eles vêm sendo mediados há algum tempo, mas acho que há um grande impulso para que cheguem a um acordo. É o que estamos ouvindo de todos."
Mais cedo, Trump havia dito à Assembleia Geral da ONU, em um discurso, que precisava decidir se faria um acordo com o Irã ou se "aniquilaria" o país. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, vai discursar na assembleia na quarta-feira.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse que Teerã havia se envolvido em negociações com os Estados Unidos por meio de um mediador do Catar em Nova York e transmitido suas condições, incluindo o fim da guerra em todas as frentes e a suspensão dos "atos de agressão" dos EUA.
Alguns veículos de mídia estatais iranianos noticiaram anteriormente que Araqchi e Witkoff haviam se encontrado, mas autoridades iranianas esclareceram à Reuters que não se tratou de um encontro presencial. Araqchi se reuniu com o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que tem sido um dos principais mediadores em negociações anteriores.
PREÇOS DO PETRÓLEO PERMANECEM NA MÍNIMA DE DUAS SEMANAS
A abertura diplomática ajudou a manter os preços do petróleo próximos às mínimas de duas semanas, com o petróleo Brent agora se mantendo logo abaixo do patamar de US$100 por barril que havia ultrapassado neste mês, depois que combatentes houthis no Iêmen lançaram uma grande ofensiva e dispararam contra a Arábia Saudita.
A guerra, iniciada por Trump em fevereiro ao lado de Israel como "Operação Fúria Épica", já dura quase sete meses, matando milhares de pessoas, perturbando o abastecimento global de energia e se espalhando para outros países da região — primeiro para o Líbano e, mais recentemente, para o Iêmen.
Trump repetiu afirmações anteriores de que a guerra poderia terminar por volta das eleições de meio de mandato dos EUA em novembro, embora não tenha explicado o motivo.
Desde que as negociações diplomáticas foram interrompidas em julho, os lados têm trocado disparos repetidamente, embora Trump tenha evitado uma retomada total dos ataques após receber a informação de seus comandantes militares de que os estoques de munição estavam se esgotando.
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