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'Sem embasamento legal ou motivo claro': quais são os verdadeiros objetivos da guerra contra o Irã?

As revistas francesas desta semana abordam diversos aspectos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e suas possíveis consequências para o mundo. As edições especiais investigam os verdadeiros objetivos por trás do conflito que chacoalha a geopolítica.

7 mar 2026 - 07h15
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"Como Netanyahu e Trump incendeiam o Oriente Médio", é a manchete da revista Nouvel Obs. A semanal afirma que, apesar das dúvidas em seu próprio campo, o presidente americano se engajou no conflito "sem embasamento legal e motivo claro", movido por suas convicções políticas e seus cálculos pessoais. 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (à esquerda) e o presidente americano, Donald Trump, em Palm Beach, na Flórida, em 29 de dezembro de 2025.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (à esquerda) e o presidente americano, Donald Trump, em Palm Beach, na Flórida, em 29 de dezembro de 2025.
Foto: REUTERS - Jonathan Ernst / RFI

Para a Nouvel Obs, o atual conflito é uma aposta "irresponsável, arrogante e imperial" de Trump e Netanyahu. "O objetivo é fazer cair a teocracia xiita? Ou seria esse um cenário como o da Venezuela?", pergunta. 

A diferença, segundo a revista, é que depois dos ataques de junho contra o Irã, Trump acreditava na possibilidade de negociação. A matéria revela que foi apenas depois da visita de Netanyahu aos Estados Unidos, em dezembro, que o presidente americano foi convencido a iniciar o planejamento da operação lançada em 28 de fevereiro. 

Por isso, para a Nouvel Obs, não há dúvidas de que a guerra teve início por pressão de Israel. Netanyahu teria percebido nas manifestações iranianas, entre o final de 2025 e o início de 2026, uma janela para aniquilar o inimigo em um momento de fragilidade.

Virada no Oriente Médio com morte de Khamenei

A revista L'Express afirma que os Estados Unidos e Israel "embaralham as cartas" da geopolítica e questiona até onde eles estão dispostos a ir. De acordo com a matéria, uma semana após o início da guerra, ninguém se arrisca a prever os próximos capítulos do conflito. Mas uma coisa é certa, diz a L'Express: a morte do líder supremo Ali Khamenei - "que transformou o Irã em uma teocracia ultramilitarizada" - marca uma virada no Oriente Médio e no islamismo mundial.

Entrevistados pelo diário, especialistas apontam que há dois cenários possíveis para o futuro do Irã. O primeiro seria a manutenção do regime e uma nova onda de repressão caso a população atenda ao chamado de insurreição de Trump. A segunda possibilidade é a tomada do controle do Estado pelos militares, em que o poder total estaria nas mãos da temida Guarda Revolucionária. 

A revista Le Point estampa sua capa com uma foto de Khamenei e recapitula o meio século de crimes contra o Irã e o mundo cometidos sob sua mão de ferro. A edição especial retraça sua chegada ao poder, em 1989, quando decidiu dar sequência ao regime sanguinário do aitolá Khomeini, reforçando seus próprios poderes, reorientando o país em direção ao nuclear e reprimindo qualquer desejo de transformação, na esfera política ou social.

Ouvido pela Le Point, Mehdi Khalaji, especialista no islã xiita, prevê um novo modelo de liderança no Irã. Segundo ele, o próximo guia supremo terá um papel simbólico, com o principal objetivo de manter a legitimidade do regime. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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