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Relatório aponta possíveis crimes contra humanidade na Líbia

País viveu guerra de milícias após queda de Kadafi

4 out 2021 - 14h32
(atualizado às 15h02)
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Um relatório independente encomendado pelas Nações Unidas (ONU) apontou que foram cometidos "prováveis crimes de guerra e contra a humanidade" na Líbia, país africano que é palco de tensões e divisões desde a queda do ditador Muammar Kadafi, em 2011.

Migrantes em centro de detenção para estrangeiros bombardeado durante conflito em Trípoli, capital da Líbia, em julho de 2019
Migrantes em centro de detenção para estrangeiros bombardeado durante conflito em Trípoli, capital da Líbia, em julho de 2019
Foto: EPA / Ansa - Brasil

O documento foi divulgado nesta segunda-feira (4), em Genebra, e diz que as investigações mostraram que "todas as partes em conflito", incluindo outros países, combatentes estrangeiros e mercenários, "violaram o direito internacional humanitário".

"Há motivos para acreditar que tenham sido cometidos crimes de guerra na Líbia e que as violências perpetradas nos cárceres e contra migrantes podem constituir crimes contra a humanidade", afirma a missão conduzida pelo marroquino Mohamed Auajjar.

A Líbia viveu anos de guerras de milícias após a derrubada de Kadafi na Primavera Árabe e até março passado estava dividida entre um governo sediado na capital Trípoli e um Parlamento com base em Tobruk.

Após anos de negociações fracassadas para reunificar a Líbia, a situação se acalmou em março passado, quando Abdul Hamid Dbeibah assumiu um governo transitório com o objetivo de organizar eleições em 24 de dezembro. No entanto, em setembro, o Parlamento de Tobruk retirou seu apoio ao governo de Trípoli, mostrando que o país segue fraturado.

A missão da ONU identificou indivíduos e grupos responsáveis por supostos crimes na Líbia a partir de 2016, mas o elenco de suspeitos será mantido sob sigilo, ao menos até que seja necessário seu compartilhamento com outros órgãos.

Além de milícias locais, o conflito líbio teve a participação de militares da Turquia, que defende o governo de Trípoli, e mercenários russos, aliados do Parlamento de Tobruk.

Refugiados

O relatório também apurou que migrantes, refugiados e solicitantes de refúgio foram vítimas de "abusos no mar, nos centros de detenção e nas mãos dos traficantes", de acordo com Chaloka Beyani, integrante da missão.

Segundo ele, foram cometidas violências em "larga escala" por parte de agentes do Estado e não-estatais, com um "alto nível de organização e o encorajamento" das autoridades, "o que sugere crimes contra a humanidade".

A crise na Líbia deixou um vácuo no litoral ocupado pelos coiotes que organizam as viagens em barcos superlotados com destino à Itália. Em 2017, no entanto, Roma passou a treinar, equipar e financiar a assim chamada Guarda Costeira do país africano, que desde então efetua operações de socorro marítimo.

Agências humanitárias e ONGs, contudo, dizem que essa Guarda Costeira é formada pelas mesmas milícias que causaram os conflitos na Líbia e acusam a corporação de violar direitos de migrantes e refugiados.

Ansa - Brasil
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