Recém-nascido morre de hipotermia após desembarque na ilha de Lampedusa
Barco com mais de 50 migrantes foi resgatado pelas autoridades italianas
Um bebê de um mês morreu de hipotermia pouco depois de a embarcação que transportava sua mãe e mais de 50 migrantes ser resgatada pela Guarda de Finanças da Itália e levada à ilha de Lampedusa, no sul do país.
Segundo as autoridades locais, o recém-nascido foi levado em estado crítico ao ambulatório local junto com a mãe, mas não resistiu. Médicos confirmaram o óbito.
O desembarque ocorreu por volta das 4h30 da manhã (horário local) no cais de Favarolo, após o resgate de 55 migrantes realizado pela embarcação V1307 da Guarda de Finanças.
O grupo era composto por pessoas originárias de Camarões, Costa do Marfim, Gâmbia, Guiné, Mali, Nigéria e Serra Leoa, entre elas sete mulheres e seis menores.
De acordo com os profissionais de saúde que participaram da triagem médica no porto, alguns dos migrantes apresentavam sinais de violência física nos braços e nas costas.
Francesco D'Arca, responsável pelo ambulatório de Lampedusa, confirmou que tanto homens quanto mulheres mostravam marcas compatíveis com agressões sofridas antes da travessia.
"O recém-nascido tinha um mês de idade e morreu de hipotermia.
Quando chegou ao ambulatório, o médico responsável pela reanimação realizou todos os procedimentos necessários, mas sem sucesso", acrescentou D'Arca.
A Procuradoria de Agrigento abriu um inquérito para investigar a morte do bebê e confirmar oficialmente a hipotermia como causa do óbito. A mãe da criança deverá ser ouvida pelas autoridades para ajudar a reconstruir os detalhes da viagem e identificar em que momento o estado de saúde do recém-nascido se agravou.
O corpo da criança, proveniente da Costa do Marfim, foi encaminhado ao necrotério do cemitério de Cala Pisana, em Lampedusa.
A ONG alemã Sea Watch, cujo navio chegou ao porto de Brindisi com 166 pessoas resgatadas nos últimos dias, criticou as autoridades.
"Enquanto o Estado ataca aqueles que salvam vidas no mar, investigando o capitão do Sea Watch, um recém-nascido de um mês chega a Lampedusa, morto nos braços da mãe após uma travessia de três dias. Quem pagará por essa injustiça?", questionou.
De acordo com a instituição, uma investigação criminal foi aberta contra o capitão do navio de resgate Sea-Watch 5 "sob a acusação de facilitar a entrada ilegal de migrantes".
A ilha italiana, localizada próxima ao norte da África, continua sendo um dos principais pontos de chegada de migrantes que tentam alcançar a Europa atravessando o Mar Mediterrâneo em embarcações precárias e sob condições extremas. .
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