Rússia devolve 528 corpos à Ucrânia em meio a acordo de troca de prisioneiros
Após a troca de prisioneiros de guerra na sexta-feira, Kiev anunciou, neste sábado (16), que a Rússia devolveu 528 corpos, apresentados como sendo de soldados ucranianos mortos em combate. A medida faz parte de um raro acordo firmado entre Kiev e Moscou e anunciado no último fim de semana pelo presidente americano, Donald Trump.
Emmanuelle Chaze, correspondente da RFI em Lviv e AFP
"Após esforços de repatriação, os corpos de 528 indivíduos falecidos foram devolvidos à Ucrânia; segundo o lado russo, podem ser militares ucranianos", afirmou o Centro Ucraniano para Prisioneiros de Guerra nas redes sociais, sem especificar a data em que os restos mortais foram recebidos. Investigadores e especialistas "tomarão todas as medidas necessárias para identificar os falecidos repatriados", acrescentou o órgão.
No dia anterior, Rússia e Ucrânia trocaram 205 prisioneiros de guerra de cada lado. A nova troca é a 74ª desde 2022 e ocorre após Donald Trump anunciar uma trégua de três dias no conflito entre Kiev e Moscou, de sábado a segunda-feira, além da troca de 1.000 prisioneiros de cada lado. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que a troca de sexta-feira constitui "a primeira fase" do anúncio de Trump.
Ao pisarem em solo ucraniano, os 205 soldados libertados demonstravam euforia. Com idades entre 21 e 62 anos, alguns passaram mais de quatro anos em cativeiro na Rússia. "Foram 1.494 dias de cativeiro, e amanhã é meu aniversário, então estou muito feliz; me dei um presente de aniversário", disse um soldado de Mariupol, no leste da Ucrânia, em depoimento divulgado pelas autoridades ucranianas.
"O que não nos mata nos fortalece", afirmou outro soldado, em relato divulgado por Kiev. "Todos queremos que a guerra termine. Esse é o nosso objetivo: pela nossa pátria, por um futuro pacífico, pela felicidade de cada um de nossos filhos, pela nossa liberdade. Os ucranianos devem viver livres. À memória eterna dos heróis! Glória à Ucrânia!", declarou, afirmando estar determinado a continuar defendendo o país.
Nos vídeos que circulam online, todos exibem semblantes aliviados, porém cansados, após anos de cativeiro. Alguns pedem que não se esqueçam daqueles que permanecem presos. Nos próximos dias, centenas de famílias aguardam a continuação dessa troca em larga escala.
Segundo as autoridades ucranianas, mais de 7 mil prisioneiros de guerra ainda permanecem em cativeiro.
Na sexta-feira, 34 Estados-membros do Conselho da Europa, bem como a União Europeia e países terceiros, manifestaram a intenção de aderir ao futuro tribunal especial para a Ucrânia, destinado a julgar a invasão russa.
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