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Quase 10 anos após terremoto, Amatrice ainda vive entre ruínas e esperança

Menos de 20% dos moradores deixaram as unidades habitacionais emergenciais

21 ago 2026 - 18h55
(atualizado às 19h02)
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Resumo
Quase dez anos após o terremoto de 2016 que matou cerca de 300 pessoas, a cidade italiana de Amatrice segue em lenta reconstrução. Mais de 80% dos desalojados continuam em moradias provisórias e serviços essenciais ainda aguardam obras, como o hospital previsto para 2027. Diante do envelhecimento populacional e do trauma coletivo, a comunidade tenta se reerguer e reativar a economia local por meio do turismo e de projetos de convivência.

Faltando poucos dias para o terremoto de Amatrice, na Itália, completar uma década, a cidade inaugurou um trecho de asfalto de aproximadamente 600 metros que permaneceu inativo durante 10 anos.

Menos de 20% dos moradores deixaram as unidades habitacionais emergenciais
Menos de 20% dos moradores deixaram as unidades habitacionais emergenciais
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em meio aos andaimes e às ruínas que ainda marcam a paisagem de Amatrice, o tempo praticamente parou no município às 3h36 do dia 24 de agosto de 2016. Esse foi o instante congelado no relógio da torre cívica, a única estrutura que permaneceu de pé após o terremoto que matou quase 300 pessoas.

"Desde aquele dia, vivemos um luto coletivo, com cada um avançando em seu próprio ritmo", disse Sergio Pirozzi, prefeito de Amatrice na época do terremoto e que se tornou um dos principais rostos da tragédia.

Após o sepultamento das vítimas, a fase de emergência começou imediatamente, e mais de mil moradores desalojados foram acomodados em unidades habitacionais provisórias. No entanto, menos de 20% retornaram às suas casas. Alguns se recusam a voltar por medo, enquanto outros tentam tirar proveito da situação.

Essas unidades pré-fabricadas, também conhecidas como SAE, transformaram-se em bairros. Sinais da vida cotidiana nas entradas das casas conferem aos locais um ar acolhedor, como se fossem habitados há muito tempo.

"Quando minha casa ficar pronta, eu vou embora. Gastei as economias de uma vida inteira para comprá-la", disse Umberto, de 80 anos.

Motociclistas que passeiam pelas montanhas e carros ocasionais circulam pela estrada principal. Enquanto isso, a vida de quase todos os moradores acontece dentro das estruturas provisórias. Da nova prefeitura e do posto dos carabineiros à sede da polícia de trânsito, aos bancos e à agência dos correios, tudo ainda aguarda reconstrução.

Outra esperança de recomeço está na inauguração do hospital, prevista para 2027. A estrutura imponente, ainda cercada por andaimes, deverá se tornar um polo de saúde fundamental para a região entre Rieti e Ascoli.

Quase 10 anos depois do terremoto, a sobrevivência da comunidade está em jogo. Dos 2.323 moradores registrados, apenas três ou quatro bebês nascem em famílias locais a cada ano.

"É possível trazer a cidade de volta à vida, mesmo que as obras avancem aos trancos e barrancos devido a problemas com as empreiteiras. Aqui, 20% da população depende de serviços sociais porque se isola e tem dificuldade em sair de casa. Precisamos de espaços que promovam a convivência comunitária; o teatro e os dois pequenos centros comerciais não são suficientes", disse o atual prefeito de Amatrice, Giorgio Cortellesi, que encontrou milagrosamente os filhos vivos após o desabamento de sua casa durante o terremoto.

Proprietários de restaurantes locais também tentam revitalizar a região, apostando no turismo impulsionado pelos donos de casas de veraneio vindos de Roma, que fica a apenas algumas horas de carro.

Diante da Igreja de Sant'Agostino, atualmente instalada em um contêiner de carga, o padre Savino, que atuou como pároco de Amatrice por quase duas décadas, retorna frequentemente ao local para supervisionar o projeto da Casa Futura. O antigo orfanato desabou durante o terremoto e está sendo reconstruído para se tornar um centro multiuso. .

Ansa - Brasil
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