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Quarentena dos EUA para norte-americanos que retornam do Congo prejudicará resposta ao Ebola, diz organização humanitária

16 jul 2026 - 20h14
(atualizado às 20h55)
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A nova política de Washington, ‌segundo a qual os cidadãos norte-americanos que retornam da República Democrática do Congo — onde há um surto de Ebola — devem passar 21 dias em um terceiro país antes de entrar nos EUA, prejudicará a resposta à epidemia, afirmou o diretor de uma grande organização humanitária norte-americana.

Franklin Graham, diretor-executivo de uma organização que opera centros de tratamento do Ebola e mobiliza ⁠o que ele descreveu como o maior número de profissionais norte-americanos de resposta à crise no ‌Congo, disse que terá de reduzir a missão, pois a ordem de quarentena complicará o recrutamento de profissionais de saúde.

"Teríamos que reduzir bastante nosso trabalho", disse Graham à Reuters em ‌uma entrevista por telefone na quarta-feira. "Isso vai nos prejudicar ‌na hora de conseguir a equipe de que precisamos."

O mais recente surto de ⁠Ebola, o 17º no Congo, já resultou, até o momento, em 2.073 casos confirmados e 796 mortes, segundo dados oficiais, com todos os casos ligados à cepa Bundibugyo. Trata-se do terceiro pior surto já registrado, segundo a Organização Mundial da Saúde.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, comprometeu-se a impedir a entrada do Ebola nos EUA, estabelecendo há meses políticas ‌rigorosas que impedem a entrada de não cidadãos. Os EUA também estão construindo um centro de ‌quarentena no Quênia.

Na terça-feira, a Reuters ⁠divulgou em primeira ⁠mão a nova política do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) que impede que norte-americanos no Congo ⁠embarquem em voos comerciais com destino aos EUA.

O ‌Departamento de Saúde e Serviços ‌Humanos dos EUA, que supervisiona o CDC, afirmou que a nova medida visa reduzir o risco da entrada do Ebola para os Estados Unidos. O departamento não se pronunciou sobre os desafios específicos que as equipes de resposta enfrentarão agora.

"O departamento continuará ⁠a trabalhar com parceiros para proteger a população norte-americana, ao mesmo tempo em que apoia uma resposta de saúde pública segura e eficaz", disse a porta-voz Emily Hilliard em comunicado enviado por email.

TRABALHADORES TEMPORÁRIOS

A organização de Graham, a Samaritan's Purse — um grupo cristão evangélico que atua em várias zonas de desastre ao redor ‌do mundo —, abriu centros de tratamento do Ebola na cidade congolesa de Bunia e na vila de Nyankunde, no epicentro do surto, em junho.

As instalações têm capacidade combinada de cerca ⁠de 100 leitos e já trataram mais de 270 pacientes desde a inauguração, segundo a organização. Graham disse que cerca de 80 cidadãos norte-americanos estão destacados no local.

"Isso vai nos prejudicar", disse Graham. "Quando digo que vai nos prejudicar, quero dizer que vai afetar o nível de atendimento que seremos capazes de oferecer."

A missão mobiliza profissionais de saúde temporários que tiram uma licença de seus empregos regulares nos EUA. Graham disse temer que mais três semanas longe do local de trabalho possam dificultar o recrutamento de voluntários. Isso também aumentaria os custos para transferi-los para um terceiro país e mantê-los em quarentena lá.

"Parece que estamos mirando nossos profissionais de saúde e tratando-os talvez um pouco como se fossem mercadorias danificadas", disse Graham. "E esses são heróis. São pessoas que arriscaram suas vidas para salvar a vida de outras pessoas. E agora são combatentes experientes contra o Ebola."

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