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Proteção e dignidade de menores migrantes devem ser prioridades, diz Papa

Leão XIV também cobrou que religiões atuem para evitar radicalização de jovens

14 ago 2026 - 08h39
(atualizado às 09h11)
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O papa Leão XIV afirmou que a gestão dos fenômenos migratórios deve ter como prioridade o "interesse superior do menor" e que as instituições precisam colocar "a proteção e a dignidade de cada criança e adolescente" no centro das políticas públicas.

Papa cumprimenta menores refugiados durante visita às Ilhas Canárias, na Espanha, em junho
Papa cumprimenta menores refugiados durante visita às Ilhas Canárias, na Espanha, em junho
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A declaração está na mensagem do pontífice para o 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que será celebrado pela Igreja Católica em 27 de setembro, e chega na esteira da entrada em massa de 72 mil deslocados internacionais em Ceuta, exclave espanhol no Marrocos.

No texto, intitulado "Mesmo uma só destas crianças", em referência ao Evangelho de Mateus, o Papa defendeu a adoção de "instrumentos jurídicos eficazes de proteção", o estímulo ao reagrupamento familiar e a prevenção dos "traumas da separação".

"Urge uma mudança de perspectiva: é necessário deslocar o eixo do debate da mera gestão dos fluxos para a tutela plena e imediata dos direitos humanos, adotando uma resposta coordenada, solidária e eficaz, capaz de garantir proteção, acolhimento e oportunidades reais de integração a quem emigra", escreveu Leão XIV na mensagem.

"Mesmo um só destes pequeninos, no contexto das instituições civis, chama-nos a reafirmar o princípio do interesse superior do menor. As instituições públicas e privadas são obrigadas a dar centralidade à proteção e à dignidade de cada criança e adolescente", acrescentou.

O Papa lembra que milhões de menores de idade são "obrigados a abandonar sua terra devido a guerras, pobreza, violência, catástrofes ambientais e outras tragédias" e alerta que o número continua crescendo.

"As responsabilidades econômicas, políticas e militares por este desastre são imensas. O sofrimento não se esgota no simples deslocamento: há jovens que perderam pais, irmãos, irmãs e amigos e são testemunhas de violências indescritíveis. Outros, separados durante longos períodos dos seus familiares, tentam reunir-se com eles, vivendo, entretanto, a angústia do afastamento", disse.

Leão XIV também lembrou as múltiplas violações enfrentadas pelos menores durante migrações, como tráfico humano, exploração, recrutamento para conflitos armados, violência sexual, casamentos forçados e outras atrocidades. "A sua dignidade é espezinhada de demasiadas formas", destacou.

Apesar do cenário de "escuridão", o pontífice reconheceu a existência de "luzes de solidariedade" protagonizadas por pessoas, famílias, instituições civis e comunidades eclesiais que se recusam a "virar as costas". Para o Papa, é necessário "intervir nos países de origem para eliminar as eventuais causas" que obrigam menores a fugir, além de "oferecer proteção e acolhimento" nos territórios de trânsito e de chegada.

"Na nossa vida pessoal, mesmo um só destes pequeninos chama-nos a abrir os olhos e o coração para uma escuta profunda da sua história, dos receios e dos sonhos de cada um deles, superando aquele distanciamento que reduz o ser humano a um dado estatístico que não nos envolve diretamente. É um convite a reconhecer a criança na sua dignidade, antes mesmo da sua condição de 'migrante', e a proteger os seus direitos fundamentais", declarou.

Além disso, Leão XIV pediu que as religiões cooperem para evitar a radicalização de jovens migrantes e refugiados. "As comunidades de fé são chamadas a construir espaços onde cada menina e cada menino sejam respeitados e valorizados nas respectivas identidades culturais, prevenindo o risco de radicalização por parte de grupos extremistas", salientou o pontífice.

Ansa - Brasil
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