PRI volta ao poder no México após 12 anos, mas sem maioria sólida
Por Anahi Rama e Lizbeth Salazar
CIDADE DO MÉXICO, 2 Jul (Reuters) - O Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos até 2000, recuperou o poder após 12 anos na oposição, mas provavelmente terá que buscar alianças para realizar as reformas prometidas, depois de conquistar a Presidência por uma margem muito mais estreita do que as pesquisas previam.
Enrique Peña Nieto, do PRI, declarou-se vencedor da eleição presidencial de domingo logo depois que uma contagem inicial das autoridades eleitorais do México deu-lhe uma liderança clara.
Com a promessa de revigorar a economia e reduzir a violência do tráfico de drogas, o político de 45 anos vai assumir o cargo em dezembro para um mandato de seis anos como presidente, devolvendo o poder ao partido que dominou a política mexicana durante a maior parte do século passado, às vezes implacavelmente.
As pesquisas de opinião nos últimos dias antes da eleição previam a vitória de Peña Nieto por uma margem de entre 10 e 15 pontos percentuais, mas com 85 por cento dos votos contados, ele estava apenas 5,4 pontos à frente de seu rival de esquerda, Andrés Manuel López Obrador .
Peña Nieto recebeu 37,6 por cento de apoio em comparação com 32,2 por cento para López Obrador e 25,4 por cento para a candidata do partido da situação, Josefina Vázquez Mota.
"Os mexicanos deram ao nosso partido uma chance. Vamos honrá-los com resultados", disse um visivelmente emocionado Peña Nieto aos partidários dentro da sede do PRI na Cidade do México, onde choveram confetes sobre os eleitores em festa.
Embora López Obrador tenha dito na noite de domingo que era cedo demais para admitir a derrota, um alto funcionário eleitoral disse que a liderança do candidato do PRI era "irreversível" e o atual presidente, Felipe Calderón, felicitou Peña Nieto por sua vitória.
O conservador Partido da Ação Nacional (PAN), de Calderón, sofreu uma derrota esmagadora, prejudicado por sua incapacidade de impulsionar o crescimento econômico e reduzir a violência de uma guerra contra as drogas que já matou dezenas de milhares de pessoas e destruiu a imagem do México.
Peña Nieto vai assumir num momento em que as finanças do México estão em boa ordem e a economia está começando a melhorar, embora ainda não possa gerar emprego o suficiente para a população crescente.
Embora o PRI tenha conquistado uma reputação de política sem escrúpulos e muitas vezes corrupta quando governou entre 1929 e 2000, seu domínio de 71 anos no poder permitiu ao partido se vender nesta campanha como o que melhor sabe como governar.
E o seu candidato, famoso tanto por sua aparência impecável quanto por suas habilidades políticas, convenceu muitos eleitores de que o seu partido aprendeu as lições do passado.
"O PRI já aprendeu a ouvir as pessoas, eles aprenderam que não são reis... a se envolver com as pessoas, entendê-las e governar em uma coalizão com o povo", disse o estudante de 20 anos Hector Pérez.
Ainda não estava claro como os partidos seriam representados no Congresso, mas os resultados incompletos sugeriam que o PRI pode ter dificuldades para conquistar uma maioria operante, deixando-o dependente de outros partidos para prosseguir com sua agenda de reformas.
Tendo comandado o México como um Estado praticamente de partido único pela maior parte do século 20, o PRI foi derrotado em uma eleição há 12 anos e foi visto por muitos como quase morte quando terminou em terceiro lugar na votação presidencial de 2006.
CRESCIMENTO
Peña Nieto prometeu elevar o crescimento econômico a cerca de 6 por cento ao ano, criar empregos e reduzir a violência da guerra contra as drogas que já matou mais de 55.000 pessoas desde o final de 2006. Suas principais propostas de reforma incluem permitir maiores investimentos privados na indústria estatal de petróleo do México.
López Obrador poderia ainda optar por contestar o resultado da eleição, como fez seis anos atrás, quando ele perdeu por pouco para Calderón e lançou meses de protestos, alegando fraude.
Ele disse nas últimas semanas que esta campanha eleitoral também foi cheia de irregularidades, levantando preocupações de que ele poderia novamente convocar seus partidários às ruas. Na noite de domingo, ele falou apenas que iria esperar até que todos os resultados estivessem contabilizados.
O PAN levantou grandes esperanças quando foi eleito em 2000, mas a economia cresceu apenas a uma média de 2 por cento por ano desde então e a guerra contra as drogas tem golpeado a reputação de Calderón.
"Nada melhorou desde que o PAN entrou", disse o encanador da Cidade do México Raimundo Salazar, de 44 anos. "O PRI entende como as coisas funcionam aqui. E ele sabe como lidar com os traficantes."
Peña Nieto construiu sua reputação como governador do Estado do México, em 2005 a 2011, onde supervisionou o crescimento econômico sólido e derrubou a dívida do governo.
"Ele fez um trabalho realmente bom... construiu muitos hospitais, estradas e escolas", disse Lino Posadas, de 30 anos, um funcionário de estacionamento da cidade de San José del Rincón, no Estado.
Para seus críticos, Peña Nieto é um produto criado pelas principais empresas de televisão do México para servir como um representante das maiores empresas do país e das elites dirigentes do PRI.
"Ele foi imposto a nós por interesses poderosos como as estações de TV e presidentes antigos", disse Javier Aguilar, de 62 anos, um bioquímico. "Como é possível que um país assim miserável seja o lar do homem mais rico do mundo?", questionou ele, referindo-se ao magnata Carlos Slim.