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Por que o Japão quer que o mundo inverta os nomes dos japoneses

Chanceler quer aproveitar que o Japão estará sob holofotes globais para que nomes japoneses escritos em idiomas estrangeiros respeitem a mesma ordem de nomes de outros países asiáticos.

23 mai 2019
09h52
atualizado às 11h16
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O Japão quer assemelhar-se às demais potências asiáticas e fazer com que nomes japoneses sejam escritos com o sobrenome à frente do nome de batismo - e não depois, como nos países ocidentais, afirmou o chanceler do país, Taro Kono.

Taro Kono, chanceler japonês, quer que seu nome seja grafado Kono Taro por veículos estrangeiros
Taro Kono, chanceler japonês, quer que seu nome seja grafado Kono Taro por veículos estrangeiros
Foto: Maliepa/Wikimedia Commons / BBC News Brasil

Na língua japonesa, assim como em outros idiomas orientais, é comum que o sobrenome seja dito antes do nome de batismo. No entanto, segundo o jornal Japan News, no século 19, em meio à crescente influência da cultura ocidental no país, essa ordem foi mudada na escrita de nomes japoneses em línguas estrangeiras.

O debate de voltar à ordem sobrenome-nome existe há décadas e agora é revivido por Taro Kono (ou melhor, Kono Taro?).

"Planejo pedir às organizações de imprensa estrangeira que façam isso (escrevam sobrenomes antes dos nomes)", afirmou o chanceler a jornalistas. "Veículos nacionais de imprensa que tenham serviços em inglês também devem considerar a questão."

Com a mudança, o premiê japonês Shinzo Abe passaria a ser chamado de Abe Shinzo. É a mesma lógica de nomes de outros líderes asiáticos, como Xi Jinping (presidente da China) e Kim Jong-il (líder norte-coreano), em que o sobrenome é dito e escrito antes.

Japão sob holofotes

Kono afirmou que seu ministério pretende considerar a mudança também em documentos oficiais, como passaportes. Agregou ainda que, com ascensão, em 1º de maio, do imperador Naruhito e a aproximação de elementos internacionais agendados no Japão - em junho, o país sediará a cúpula do G20 e, no ano que vem, a Olimpíada de Tóquio, tornam o momento adequado para pleitear a mudança na ordem dos nomes.

Análise feita pelo jornal britânico The Guardian aponta que a medida parece ser uma tentativa de o governo demonstrar mais confiança na cultura e na história do país, no momento em que ele estará sob os holofotes globais.

Kono também declarou que tem o apoio de outros órgãos do governo, já que o ministro da Educação, Masahiko Shibayama, também pediu que agências oficiais retomem a prática de colocar o sobrenome na frente do nome.

Já o porta-voz do governo, Yoshihide Suga, foi mais cauteloso, dizendo a repórteres que "vários fatores precisam ser levados em conta (para essa mudança), inclusive as convenções".

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