Polícia do Reino Unido planeja operação "sem precedentes" para evitar problemas em diferentes protestos de fim de semana
A polícia de Londres disse nesta quarta-feira que montaria uma operação "sem precedentes" neste fim de semana para evitar violência e desordem grave quando dois grandes protestos -- um anti-imigração e outro pró-palestinos -- ocorrerem na capital britânica.
Pelo menos 80.000 pessoas são esperadas em Londres no sábado para as duas manifestações -- uma marcha pró-palestina marcando o Dia da Nakba e um outro ato, o "Unite the Kingdom", organizado pelo ativista anti-islâmico Stephen Yaxley-Lennon, mais conhecido por seu pseudônimo Tommy Robinson.
Com a final da Copa da Inglaterra também sendo realizada em Wembley, no noroeste da capital, e tendo como pano de fundo as tensões globais, os recentes ataques antissemitas e o aumento do nível de ameaça terrorista do Reino Unido, a polícia anunciou que deve adotar "o uso mais assertivo possível de nossos poderes" para evitar problemas.
"A escala da operação não tem precedentes nos últimos anos", disse o vice-comissário assistente James Harman a jornalistas, afirmando que ela deve contar com cerca de 4.000 policiais e o apoio de helicópteros e unidades caninas, além de veículos policiais armados de reserva.
ATAQUES
Recentemente, Londres foi palco de uma série de ataques incendiários a locais judaicos, e dois judeus foram esfaqueados no mês passado em um incidente que está sendo tratado como terrorismo.
Grandes marchas pró-palestinas -- foram 33 desde o ataque liderado pelo Hamas a Israel em outubro de 2023 -- são acusadas de alimentar o antissemitismo, com processos judiciais para pessoas que entoaram cânticos ofensivos e seguraram cartazes incitando o ódio.
Sexta-feira é o Dia da Nakba, quando os palestinos relembram a perda de suas terras após a guerra de 1948, no nascimento do Estado de Israel. "Nakba" significa catástrofe em árabe.
Enquanto isso, atos liderados por Yaxley-Lennon, que conta com o empresário bilionário norte-americano Elon Musk entre seus apoiadores, levaram a cânticos antimuçulmanos e violência, disse Harman.
Em setembro passado, cerca de 150.000 manifestantes participaram de um evento "Unite the Kingdom", uma das maiores manifestações do gênero vistas em Londres, quando Musk apareceu por videolink.
A dias dos protestos de sábado, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer informou que o governo proibiu a entrada de sete "agitadores de extrema-direita" estrangeiros no Reino Unido para participar do evento de Yaxley-Lennon.
Robinson diz que foi alvo do Estado por expor irregularidades, mas seus críticos dizem que ele é pouco mais do que um agitador de extrema-direita com uma série de condenações criminais.
"Precisamos ter em mente neste sábado o histórico de grupos de hooligans do futebol que apoiam causas lideradas por Stephen Yaxley-Lennon", disse Harman.
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