Planos para casamento coletivo são adiados na Nigéria; algumas garotas e mulheres se casam em cerimônia privada
Líderes religiosos e um parlamentar estadual suspenderam seus planos para realizar um casamento coletivo de 100 garotas e jovens mulheres no noroeste da Nigéria, após o anúncio provocar indignação, mas algumas casaram-se em cerimônias privadas, afirmaram o presidente da assembleia estadual e uma das garotas nesta terça-feira.
Os planos do casamento no Estado de Níger, majoritariamente muçulmano, atraíram críticas da ministra de Assuntos das Mulheres, Uju Kennedy-Ohanenye, e de um grupo ativista local que abriu uma petição para interromper a cerimônia. Críticos temiam que as garotas, algumas delas órfãs, poderiam ser menores de idade.
Uma equipe do Ministério de Assuntos das Mulheres visitou Níger na quinta-feira e na sexta-feira e se reuniu com o presidente da assembleia estadual, Abdulmalik Sarkindaji, imãs locais e algumas das garotas, disse o porta-voz de Sarkindaji, Auwal Mohammed, à Reuters.
Mohammed afirmou que a delegação ficou satisfeita que as garotas têm mais de 18 anos -- a idade legal para se casar -- e o ministério prometeu bolsas de estudos para aquelas que quiserem continuar sua educação e apoio financeiro para outras que querem se casar.
Ohaeri Osondu-Joseph, porta-voz da ministra dos Assuntos das Mulheres, disse que o casamento coletivo "não é preocupação do ministério por enquanto", acrescentando que o foco era empoderar as garotas, referindo-se às bolsas de estudo e outros apoios do ministério.
Fatima Mohammed Mariga, 22 anos, disse que estava entre as mulheres com intenção de se casar na cerimônia coletiva, mas foi informada pelo seu guardião legal que o casamento havia sido adiado por causa da controvérsia.
Na sexta-feira, ela se casou com seu namorado em uma cerimônia com a presença de familiares, amigos e um líder religioso local, disse.
"Não fui forçada a casar com ele. Eu amo o homem que casei e ele também me ama", afirmou.