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Pensilvânia registra primeiras mortes por sarampo nos EUA este ano em meio a avanço de surto

25 ago 2026 - 11h35
(atualizado em 26/8/2026 às 02h38)
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Resumo
A Pensilvânia registrou as duas primeiras mortes por sarampo nos EUA neste ano, as primeiras no estado em 35 anos, envolvendo pessoas não vacinadas. O país vive o maior surto da infecção em mais de três décadas, somando 2.777 casos. Especialistas alertam que o avanço decorre da queda na cobertura vacinal e da desinformação, em meio a políticas e discursos federais que desencorajam a imunização infantil.

Dois moradores do Estado norte-americano da Pensilvânia morreram devido ao sarampo, informaram ‌autoridades de saúde nesta terça-feira, nas primeiras mortes por essa causa este ano nos EUA, que enfrenta o maior número de casos da doença altamente infecciosa em mais de três décadas, à medida que as taxas de vacinação caem.

Ambas as pessoas eram residentes do condado de Lancaster que não haviam sido vacinadas, de acordo com o Departamento de Saúde da Pensilvânia, que não divulgou detalhes adicionais, alegando questões de ⁠privacidade.

A Pensilvânia tem sido um dos Estados mais afetados este ano, com 393 casos de sarampo em 28 ‌condados até o momento. O condado de Lancaster, na região sudeste do Estado, registrou 185 casos, mas essas foram as primeiras mortes por sarampo registradas no Estado em 35 anos.

"Como o sarampo foi ‌praticamente eliminado na Pensilvânia há mais de três décadas, as pessoas ‌não estão familiarizadas com essa doença e não compreendem totalmente a gravidade potencial da doença", disse ⁠a secretária de Saúde, Debra Bogen.

Os EUA registraram, até agora neste ano, 2.777 casos confirmados de uma doença que havia sido praticamente erradicada no país — um reflexo da queda nas taxas de vacinação e das políticas adotadas sob a gestão do secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., que há décadas trabalha para desencorajar o uso de vacinas.

Kennedy e o presidente Donald Trump, que neste mês emitiu decreto solicitando ‌a redução das vacinas infantis recomendadas, têm promovido a ideia de uma ligação entre vacinas e autismo, uma teoria ‌há muito refutada e contrária ⁠às evidências científicas estabelecidas.

O decreto ⁠de Trump não ajuda a restaurar a confiança em vacinas que salvam vidas, afirmou a dra Angela Dunn, ex-epidemiologista ⁠do Estado de Utah e ex-diretora de divisão do Centro ‌de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) ‌responsável pela resposta a doenças infecciosas.

"Todos nós pensávamos que o surto no Texas e as mortes ocorridas lá no ano passado serviriam de alerta. Depois, tivemos os surtos na Carolina do Sul e em Utah", disse Dunn. Em 2025, três pessoas morreram em um surto que começou no ⁠oeste do Texas e se espalhou para o Novo México.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

QUEDA NAS TAXAS DE VACINAÇÃO

Taxas de vacinação de 95% ou mais podem prevenir surtos ao criar o que se chama de imunidade de rebanho, protegendo pessoas que não podem ser vacinadas.

Duas doses da vacina contra sarampo, ‌caxumba e rubéola (tríplice viral) oferecem 97% de proteção contra o vírus. Geralmente, as crianças recebem a primeira dose entre os 12 e 15 meses de idade e a segunda entre os 4 e 6 ⁠anos.

Segundo dados do Departamento de Saúde da Pensilvânia referentes ao ano letivo de 2025-2026, 93,2% das crianças em idade de pré-escola no Estado haviam recebido as duas doses obrigatórias da vacina tríplice viral; o índice era de 93,7% no ano letivo anterior (2024-2025).

No condado de Lancaster, 87,6% dos alunos da pré-escola receberam as duas doses obrigatórias da vacina durante o ano letivo de 2025-2026.

O governo federal e as autoridades de saúde estaduais precisam tentar identificar comunidades com baixa cobertura vacinal contra o sarampo, disse William Moss, professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins. "Muitas pessoas neste país e em certas comunidades desconfiam da vacina contra o sarampo, uma desconfiança alimentada em parte por informações incorretas e desinformação", disse Moss.

O número de casos de sarampo nos EUA em 2026 é o mais alto registrado em um único ano desde o grande ressurgimento ocorrido entre 1989 e 1991, quando foram contabilizadas 55.000 infecções e 123 mortes.

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