Partido alemão AfD pondera afastar-se de raízes anti-UE, aponta documento estratégico
Um documento estratégico do partido alemão de extrema-direita AfD propõe suavizar sua postura anti-UE, trocando a exigência de saída imediata do bloco e do euro pela defesa de reformas profundas que criem uma união flexível de nações soberanas. A saída via referendo só ocorreria caso as mudanças falhem. A proposta, que visa adequar a legenda para tentar integrar o governo federal até 2029, representaria uma guinada histórica em suas bases e será avaliada na convenção partidária no próximo ano.
Membros do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) defendem uma mudança na oposição de longa data do partido à adesão da Alemanha à União Europeia e ao euro, de acordo com um documento estratégico ao qual a Reuters teve acesso nesta segunda-feira.
A medida representaria uma mudança notável em um dos princípios fundadores da AfD, que foi criada em 2013 em grande parte em oposição às políticas de resgate da zona do euro e há muito defende a dissolução da união monetária ou a saída da Alemanha dela.
O documento, divulgado inicialmente pelo jornal Bild, defende uma reforma fundamental do bloco e da moeda, em vez de uma saída imediata. Caso esses esforços fracassem, o partido deveria então convocar um referendo sobre a adesão da Alemanha, afirma o documento.
O documento também prevê a transformação da UE em uma "união de nações soberanas" mais flexível, limitando o papel de Bruxelas na formulação de políticas internas e permitindo exceções nacionais em áreas como imigração, finanças da UE e política social.
O documento foi elaborado por deputados da AfD do Parlamento Europeu, da câmara baixa da Alemanha e dos parlamentos estaduais, e discutido em uma reunião no mês passado. Uma convenção do partido no próximo ano aprovaria qualquer alteração em sua plataforma política, que já tem uma década.
Peter Boehringer, porta-voz parlamentar da AfD para assuntos europeus e crítico de longa data do euro, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A AfD vem ampliando constantemente seu apoio por meio de campanhas contra a imigração, após o afluxo de pessoas que fugiam da guerra no Oriente Médio em 2015 — uma estratégia que ajudou o partido a alcançar uma série de sucessos eleitorais, mais recentemente na Saxônia-Anhalt.
A AfD, que ficou em segundo lugar nas eleições nacionais do ano passado, atrás dos conservadores do chanceler Friedrich Merz, tem como meta entrar no governo federal até 2029. Os principais partidos políticos da Alemanha se recusam a cooperar com a AfD, que a agência de inteligência interna classificou como "extremista de direita" — uma caracterização que o partido rejeita.
A colíder do partido Alice Weidel descreveu o euro como uma "moeda fraca" em uma entrevista à emissora ZDF em agosto, mas não chegou a pedir explicitamente que a Alemanha abandonasse a moeda.
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