Paquistão retoma operações militares contra Afeganistão
Os militares do Paquistão retomaram as operações contra o Afeganistão após uma pausa temporária, informou o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão nesta quinta-feira, frustrando as esperanças de um cessar-fogo permanente.
Os piores combates entre o Paquistão e o Afeganistão em anos eclodiram no mês passado, causando grandes perdas humanas em ambos os lados.
Cabul disse que mais de 400 pessoas foram mortas em um ataque aéreo paquistanês em um centro de reabilitação de drogados na capital afegã na semana passada, antes que os vizinhos suspendessem os combates.
O Paquistão rejeitou as declarações do Taliban sobre o ataque, dizendo que ele "visou precisamente instalações militares e infraestrutura de apoio ao terrorismo".
Uma pausa nas hostilidades foi anunciada para o festival islâmico de Eid al-Fitr, que, segundo Islamabad, também foi solicitado por Turquia, Catar e Arábia Saudita.
"A pausa foi concluída à meia-noite entre, creio eu, 23 e 24 de março", disse Tahir Andrabi, o porta-voz em uma reunião semanal do Ministério das Relações Exteriores em Islamabad.
Ele disse que as operações continuarão até que os objetivos sejam alcançados e até que o governo afegão do Taliban reveja o que ele chamou de sua prioridade equivocada de apoiar a infraestrutura terrorista.
O governo paquistanês acusa o Taliban afegão de abrigar e apoiar militantes islâmicos que realizam ataques dentro do Paquistão. Cabul nega, dizendo que a militância é um problema interno do Paquistão.
PASSAGEM DE FRONTEIRA TEMPORARIAMENTE REABERTA
O comércio nas principais passagens de fronteira entre os dois vizinhos foi suspenso desde que os militares paquistaneses lançaram seus primeiros ataques aéreos em outubro.
A passagem de fronteira de Torkham, no noroeste do Paquistão, foi temporariamente aberta nesta quinta-feira para que centenas de refugiados afegãos voltassem para casa, segundo as autoridades.
"Estamos presos aqui há pelo menos um mês e meio", disse Zabi Ullah, um refugiado afegão que estava esperando a abertura da fronteira, à Reuters TV. "Há também parentes doentes conosco".
O Paquistão já recebeu mais de dois milhões de refugiados afegãos que se refugiaram dos sucessivos ciclos de guerra no Afeganistão ao longo das décadas.
Islamabad quer que todos os cidadãos afegãos deixem o país -- exceto aqueles que têm vistos válidos -- dizendo que eles estiveram envolvidos em ataques de militantes e outros crimes.
A iniciativa de repatriação do Paquistão faz parte de uma campanha chamada Plano de Repatriação de Estrangeiros Ilegais, lançada no final de 2023.
A Organização das Nações Unidas considera o envio dos refugiados de volta uma violação das obrigações internacionais.