Papa terá 'assistência médica padrão' durante viagem à América Latina
Leão XIV, que removeu câncer de pulmão, deve homenagear Francisco na Argentina
O papa Leão XIV terá assistência médica padrão em sua viagem à América do Sul, entre 6 e 17 de novembro, passando por Uruguai, Argentina e Peru, sem contraindicações após cirurgia pulmonar. A visita inclui 40 discursos focados em populações vulneráveis, encarcerados e injustiças, além de encontros com jovens. Na Argentina, fará uma homenagem ao falecido papa Francisco. O roteiro gera forte entusiasmo popular na região, abordando também mensagens de paz e as relações com os Estados Unidos.
O papa Leão XIV, que foi submetido a uma cirurgia pulmonar para a retirada de um tumor maligno, contará com assistência médica padrão durante sua viagem pela América do Sul, entre os dias 6 e 17 de novembro, com passagens pelo Uruguai, Argentina e Peru.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (3) pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, que garantiu que não serão necessárias precauções especiais, além das habituais.
Em entrevista coletiva, Bruni afirmou que a equipe médica que acompanha o Papa não identificou contraindicações para a viagem.
Segundo ele, os preparativos incluem os cuidados necessários para garantir a assistência "a um homem de 71 anos que passou por uma cirurgia e retomou sua rotina normal".
"Não haverá equipamentos médicos especiais", ressaltou Bruni.
Como ocorre em todas as viagens do Pontífice, uma equipe médica e de enfermagem estará presente. Na visita anterior, à França, no final de setembro, o médico pessoal de Leão XIV, Luigi Carbone, também acompanhou o voo papal.
Bruni explicou ainda que a visita à América do Sul é muito aguardada e corresponde a um desejo antigo do Papa. Durante o percurso pelos três países, o Santo Padre deverá fazer aproximadamente 40 discursos, todos em espanhol.
Entre os assuntos previstos estão a atenção às populações mais vulneráveis, as condições das pessoas encarceradas e o combate às injustiças. A programação também contará com diversos encontros com jovens.
Além disso, está prevista uma homenagem ao falecido papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio. O tributo deve acontecer na etapa argentina da viagem - especificamente em Buenos Aires - , no dia 9 de novembro, na Catedral da Santíssima Trindade.
Segundo Bruni, a catedral abriga diversas vestes litúrgicas que pertenceram a Bergoglio da época em que ele era arcebispo da cidade.
Mais cedo, o ex-integrante da Santa Sé Guzmán Carriquiry afirmou que os países latino-americanos devem receber o líder da Igreja Católica com entusiasmo. Para ele, a decisão de manter a viagem, mesmo após a cirurgia, demonstra a determinação do Papa em encontrar os povos e as comunidades católicas da região.
Carriquiry destacou especialmente a passagem pelo Peru, onde o pontífice deverá ser recebido como um irmão adotivo. Segundo ele, a visita terá caráter de celebração nacional e popular.
Na Argentina, a expectativa também é de uma grande mobilização popular. Carriquiry relacionou a visita à ausência de uma viagem de Bergoglio à sua terra natal.
Segundo ele, o atual pontífice poderá preencher simbolicamente essa lacuna. Carriquiry também afirmou que a presença do Papa representa uma oportunidade de transmitir mensagens de paz em meio aos conflitos e às tensões internacionais.
A primeira parada será no Uruguai, país que, segundo Carriquiry, apresenta um dos cenários mais secularizados da América Latina.
Apesar desse contexto, ele relatou que o cardeal Daniel Fernando Sturla Berhouet, arcebispo de Montevidéu, mencionou um entusiasmo sem precedentes pela visita, com expectativa de participação recorde.
Outro tema destacado por Carriquiry será a relação entre os Estados Unidos e a América do Sul. Para ele, a presença de um Papa das Américas nesse contexto confere interesse especial à viagem.
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