Cobranças a Trump: Como a inflação e a guerra afetam as eleições legislativas americanas
Republicanos tentam segurar maioria no Congresso enquanto eleitores criticam inflação e política externa
As eleições legislativas dos EUA ameaçam a estreita maioria republicana no Congresso diante do desgaste do governo Donald Trump. A inflação em alta, com forte impacto nos combustíveis e no custo de vida, desponta como a principal preocupação do eleitorado, ao lado da crescente rejeição à operação militar contra o Irã e das controversas políticas de imigração na fronteira mexicana. Para reverter o cenário, os democratas precisam de quatro novos assentos em cada Casa legislativa de Washington.
O cenário político norte-americano entra em um momento decisivo nesta terça-feira (3) com a realização das disputas renovadoras para o Congresso dos Estados Unidos. Neste momento, o presidente Donald Trump, aos 80 anos, enfrenta severas cobranças.
O pleito define a ocupação de todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e o comando de 39 governos estaduais e territoriais. Atualmente, o partido Republicano mantém uma vantagem estreita nas duas Casas legislativas. Para reverter o cenário e assumir o controle parlamentar, os membros do partido Democrata necessitam conquistar um ganho líquido de ao menos quatro assentos em cada uma das instâncias de deliberação em Washington.
O peso da economia de Trump e a avaliação do eleitorado nas eleições
O aumento expressivo no custo de vida se consolida como o fator de maior impacto na decisão da população nas urnas. Nesse contexto, Trump enfrenta severas cobranças pela escalada inflacionária, que se reflete no preço dos combustíveis, nos aluguéis e nos itens básicos de consumo.
Levantamento da CBS News indicou que mais da metade dos entrevistados avalia que sua situação financeira pessoal piorou devido à orientação econômica da Casa Branca. Dados da associação automobilística AAA mostram que o galão da gasolina atingiu a marca de US$ 4,28, apresentando uma alta de US$ 1,20 em comparação ao período anterior. Já o diesel chegou a US$ 6,32.
A rejeição ao conflito internacional e os impasses migratórios
A operação militar deflagrada em fevereiro contra o Irã, conduzida com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acumula desaprovação crescente entre os cidadãos norte-americanos.
Pesquisas do especialista Nate Silver ao site O Globo apontam que a rejeição à intervenção armada subiu de 49% para 55%. Além disso, o apoio caiu para 35%, agravado pelo bloqueio no Estreito de Ormuz e a consequente alta no valor global dos hidrocarbonetos.
Em levantamento feito pela Universidade Emerson em setembro, divulgado pelo site O Globo, a guerra figurou como a preocupação central do eleitorado. Isso gerou desgastes adicionais à imagem da administração atual.
No âmbito interno, as ações de controle de fronteira implementadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos dividem a opinião pública. Embora o fluxo na divisa com o México tenha caído, pesquisas da Fox News e do Instituto Marist registram que 56% dos eleitores reprovam as abordagens da agência federal de segurança. Nesse sentido, apontam uma perda de confiança na gestão republicana sobre o tema.
Por fim, diante das críticas operacionais, o mandatário orientou sua base de apoiadores a encarar a votação como um pleito direto sobre sua permanência e liderança frente ao governo federal.
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