Papa se reunirá com 7 vítimas de abusos do clero em Lourdes
Reunião está prevista para ocorrer em 27 de setembro
O papa Leão XIV se reunirá com sete vítimas de abusos sexuais cometidos pelo clero em 27 de setembro, durante viagem a Lourdes, na França. Segundo a Conferência Episcopal Francesa, o encontro será individual e sob sigilo para proteger os participantes. A decisão de não receber associações organizadas gerou frustração no coletivo do colégio Notre-Dame-de-Bétharram, foco de escândalos no país, que desejava cobrar do pontífice um plano de ação e o reconhecimento da culpa da Igreja Católica.
O papa Leão XIV vai se reunir com sete vítimas de violência sexual cometida por membros da Igreja Católica durante sua visita a Lourdes, na França, em 27 de setembro.
O anúncio foi feito neste sábado (5) pela Conferência Episcopal Francesa, e o encontro faz parte da primeira viagem do pontífice americano ao país, entre os dias 25 e 28 deste mês.
De acordo com o bispo de Tarbes e Lourdes, Jean-Marc Micas, o local, a composição da delegação e o horário da reunião serão mantidos em sigilo. "O objetivo é proteger as pessoas que aceitaram participar", explicou.
Serão recebidos apenas indivíduos, e não representantes de grupos organizados de vítimas. "Não haverá nenhum grupo proveniente de Bétharram ou de outras localidades", afirmou o bispo, justificando a decisão pelo elevado número de solicitações.
O anúncio frustrou o coletivo de vítimas de Notre-Dame-de-Bétharram, tradicional colégio católico localizado a cerca de 15 quilômetros de Lourdes e centro de um dos maiores escândalos de abuso na França.
O grupo confirmou, "com consternação", que não será recebido pelo pontífice e que não sabe se há ex-alunos de Notre-Dame-de-Bétharram na delegação de sete vítimas que será recebida por Leão XIV. "Queríamos uma abordagem coletiva para falar em nome de todas as vítimas e obter duas coisas do Papa: que ele reconhecesse a vergonha da Igreja e, sobretudo, que propusesse um plano de ação", disse o porta-voz Alain Esquerre à agência AFP.
Em pouco mais de um ano de pontificado, Robert Prevost se reuniu pelo menos três vezes com pessoas que sofreram abusos por parte de membros do clero, a última delas durante visita à Espanha, em junho passado.
Em março, no entanto, Leão XIV foi criticado por defender "misericórdia" com sacerdotes culpados de crimes sexuais, em uma mensagem para a assembleia da Conferência Episcopal da França.
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